Alcest no Teatro Odisséia (RJ) Por dentro do Mosh Pit

Alcest no Teatro Odisséia (RJ)

4 de julho de 2018 | Gabriela Fernandes

Na noite do último domingo, 01, o Teatro Odisséia, no coração do Rio de Janeiro, foi invadido pela aura leve e atmosférica do Post-Metal e Shoegaze. O grupo francês Alcest, liderado por Neige, finalmente voltou ao solo carioca depois de quatro longos anos, desde sua última apresentação no Teatro Rival, na turnê de Shelter.

As expectativas para o show eram altíssimas. Aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo, a banda enfim anunciou uma turnê sul americana para a divulgação de Kodama, disco lançado há 2 anos atrás. Mas a espera valeu a pena. Dias antes do início da tour, Neige respondeu em uma entrevista que o álbum, aclamadíssimo pelos fãs e crítica, seria tocado na íntegra em todos os concertos, e assim foi feito.

A banda foi pontual, entrando exatamente às 20:00h no palco – sem tirar, nem pôr. A sombra dos músicos se ajeitando em meio à fumaça densa e os primeiros acordes de “Kodama” deixaram a plateia enlouquecida. E se você acha que o fato das letras serem em francês atrapalharia a empolgação do público, você está muito enganado. A pequena multidão arrumou brecha pra cantarolar qualquer melodia possível. Os “oh-oh oooh oh-oh” imitando os riffs já na primeira música arrancaram um “wow” de Neige e toda a banda, que se entreolhavam o tempo todo com sorrisos inegáveis no rosto.

O público não deixou a peteca cair em nenhum segundo durante a primeira parte do setlist, onde os franceses tocaram o álbum Kodama na ordem exata do álbum. Zero, outro guitarrista da banda e backing vocal, estava sem voz, deixando o refrão de “Untouched” nas mãos do público, que não decepcionou. “Oiseaux de Proie”, um dos maiores hits da banda, foi ovacionada quando anunciada, e a galera, novamente, acompanhou as melodias com um coro lindo de fazer parte. E então, uma salva de palmas incessante durante os três minutos de “Onyx”.

A segunda setlist da apresentação contava com alguns dos maiores sucessos dos outros discos do grupo. “Souvenirs d’un Autre Monde”, do álbum de estreia homônimo de 2007, abriu a segunda parte com muito respeito. Na sequência, Perceés de Lumière seguiu os mesmos passos de “Untouched”: no lugar de um possível vácuo causado pela falta de voz do backing vocal, o público cantarolou o refrão da música. E veio então, pra mim, um dos maiores highlights da noite, “Autre Temps”, inquestionavelmente o maior hit dos caras. O refrão fácil, melodioso e monossilábico ajudou o público a se esgoelar sem medo de errar.

Outro highlight, “Sur L’Océan Couleur De Fer” arrancou lágrimas de muitos. Novamente o público se arriscou no francês, deixando o pessoal da banda realmente impressionado. Neige agradeceu (várias e várias vezes), fez um coração todo torto com as mãos, uma saudação e deu uma triste mensagem: estávamos chegando ao final do show. “Là òu Naissent Les Couleurs Nouvellers” fechou a segunda setlist com muita energia. A banda saiu do palco, mas sabíamos que ainda faltava coisa. Aos gritos de “olé, olé olé oléééé, Alcest, Alcest!” os músicos retornavam para a saideira: a transcendental “Délivrance”. Ao final da música, enquanto só Neige estava no palco ajoelhado segurando uma única nota na guitarra, era possível ver as caras incrédulas com o espetáculo. Tinha gente chorando, gente sorrindo, gente de olhos fechados aproveitando o momento, gente com as mãos na cabeça e uma expressão de quem não está acreditando no que está presenciando.

Como era de se esperar, a casa não estava nem perto de sua lotação, mas isso não foi o suficiente pra abalar a animação dos que estavam presentes. O palco pequeno deu mais intimidade entre os músicos e os fãs, e menção honrosa à iluminação do Teatro, onde os feixes de luz e a fumaça ajudaram a criar uma atmosfera perfeita para um show extraordinário.

Depois da apresentação, os músicos ainda desceram do camarim para cumprimentar e tirar foto com os fãs que ainda estavam por lá. Infelizmente, eu tive que ir embora correndo pra não perder o último ônibus, mas os relatos são de que os caras foram super simpáticos e estavam muitíssimo felizes com a recepção do público, assim como nós! Que não demorem mais quatro anos para que Neige & cia. voltem e tragam o seu singular Post-Metal à terra do samba, pois já estamos com muita saudade.

Gabriela Fernandes

Gabriela Fernandes

Carioca da gema, estudante de química e ouvinte apaixonada de música pesada. É a louca do metal progressivo e adora enaltecer as bandas favoritas na rodinha dos amigos. Seguidora de George R. R. Martin e admiradora de universos fantásticos em geral. Acredita que uma boa pizza resolve tudo.

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