Por que ouvir?: Zeal & Ardor Por que ouvir?

Por que ouvir?: Zeal & Ardor

1 de junho de 2018 | Gabriela Fernandes

Prepare-se: você está prestes a contemplar uma das maiores surubas misturebas musicais possíveis. Alguma vez já pensou no que daria a mistura do Black Metal com vertentes da música afro-americana? Não? Pois o Zeal & Ardor faz esse som e anda chamando a atenção da mídia metaleira.

Tudo começou numa brincadeira, quando o suíço Manuel Gagneux, a mente por trás desse projeto, propôs um desafio no 4chan. Manuel já possuía um projeto musical, o Birdmask, e anonimamente divulgava seu trabalho no fórum e pedia feedbacks. Numa dessas, ele pediu que os internautas sugerissem alguns gêneros musicais e ele faria uma música em cada estilo. Foi então que um usuário sugeriu Black Metal e, outro, “nigger music” (foram essas as palavras, estamos só transcrevendo). Manuel decidiu juntar os dois estilos numa coisa só e assim nasceu o Zeal & Ardor.

O que era pra ser só um passa-tempo, uma distração, acabou se tornando o carro-chefe do trabalho artístico de Manuel. Em 2016, o debut Devil is Fine foi lançado, sendo este um álbum muito curto, com 25 minutos de duração em 9 músicas. O álbum é muito rudimentar, porém promissor, instigando a curiosidade da galera que passa por ele.

Mas o que é, exatamente, a música desse cara?

Em alguns lugares, o projeto é classificado como Avant-Garde Metal devido ao alto grau de experimentação nas músicas. Em essência, a música do Zeal & Ardor combina Spiritual e Black Metal. Se você não conhece, o Spiritual é um gênero musical que surgiu com os escravos afrodescendentes nos EUA. O compasso marcado por palmas, estalos, entre outros movimentos rítmicos do corpo, e a linha vocal muito parecida com a do Gospel (já que esse estilo derivou do Spiritual) são as principais características.

Manuel uniu essas características ao som rápido, cru e distorcido do Black Metal, com uma pitada de Blues e Soul aqui e ali. É verdade que nem todas as músicas têm guturais rasgados, riffs violentos e os blast beats chutando tudo, mas não deixam de ser faixas incríveis. As letras do Zeal & Ardor são uma espécie de culto à entidades demoníacas e diabólicas, porém são cantadas como no Spiritual, que tinham letras positivas e religiosas, como um louvor Gospel estadunidense.

E se você pensa que não tem como isso dar certo, é só conferir o primeiro (e, até então, único) disco da banda. O som de Devil is Fine é riquíssimo, apesar da curta duração. Mas se você ficou com gostinho de “quero mais”, ou não se contentou com as poucas músicas na pegada mais Black Metal, pode anotando na sua agenda porque dia 8 de junho tem coisa nova: Stranger Fruit contará com 16 músicas inéditas e já foram lançadas três delas. Confira o sensacional clipe de “Gravedigger’s Chant”, mais na pegada Spiritual e Soul. Em seguida “Waste”, pros que querem ver o Black Metal brilhando mais.

 

Gabriela Fernandes

Gabriela Fernandes

Carioca da gema, estudante de química e ouvinte apaixonada de música pesada. É a louca do metal progressivo e adora enaltecer as bandas favoritas na rodinha dos amigos. Seguidora de George R. R. Martin e admiradora de universos fantásticos em geral. Acredita que uma boa pizza resolve tudo.

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