Saxon “Thunderbolt” Resenhas

Saxon “Thunderbolt”

30 de Maio de 2018 | Raul Kuk

Avaliação:

Recentemente, eu e o Andre falamos sobre Firepower, o novo álbum do Judas Priest, e sobre como esses veteranos conseguiram lançar um trabalho com o vigor de quem não se acomoda. Esse disco é outro bom exemplo disso.

Com quatro décadas de experiência, o Saxon é parte da New Wave of British Heavy Metal e jamais, nesse tempo, mudou seu estilo. Manter-se fiel é um risco por dois motivos: podem não conseguir renovar a base de fãs e fica fácil soar repetitivo.

Mas não o Saxon. Eles não soam datados e Thunderbolt tem muito a dizer às novas gerações. Sem o sucesso comercial de outros integrantes da NWOBHM, como Iron Maiden e Def Leppard, o Saxon ganha pontos justamente por fazer do heavy metal tradicional uma bandeira a ser defendida. E o fazem com maestria.

A Produção

O vocalista Biff Byford é um monstro. Sua performance é cheia de energia, o tipo de cantor que só pega o microfone pra cantar como se fosse sua última performance – ou a primeira, se pensarmos na paixão com que ele se entrega. Os riffs de Paul Quinn e Doug Scarratt são cortantes, com solos precisos e harmonias muito bem encaixadas, lembrando grandes momentos do supracitado Judas Priest (não é coincidência que Thunderbolt tenha sido produzido por Andy Sneap, atual guitarrista do Priest). Nibbs Carter faz um trabalho beeem discreto no baixo, mas o baterista Nigel Glockler está matador. Rápido, consistente e com muita precisão. Todo o processo de composição e gravação até o lançamento levou dois anos, onde eles puderam se certificar de ter o melhor repertório possível em mãos – mas também de polir suficientemente esta pedra bruta e deixá-la perfeitamente lapidada.

Faixa a faixa

O disco abre com a instrumental “Olympus Rising”, que já nos leva à faixa-título. Tratando de mitologia greco-romana, “Thunderbolt” é perfeita pra introdução de um show porque certamente vai dar o clima exato do que o Saxon representa. Na sequência, “The Secret of Flight” conta a história de Ícaro (sim, aquele mesmo da “Flight of Icarus” do Maiden) com arranjos belíssimos, mas sem perder a força.

Chegamos então a “Nosferatu (the Vampire’s Waltz)”, com seu tom pesado e soturno. Os vocais de Byford flutuam pelos riffs, criando um clima de desespero espetacular. O cuidado com a construção da música é palpável, nada está ali por acidente. Um grande momento, sem dúvida. A sequência, com “They Played Rock and Roll” é um tributo a Lemmy e ao Motörhead – as duas bandas excursionaram juntas na virada dos anos 70/80. Apesar da tristeza, a pegada é a mesma do power trio, com direito à voz de Lemmy anunciando “We are Motörhead and we play rock and roll”. A homenagem perfeita.

Um surpreendente convidado especial participa de “Predator”: é Johan Hegg, vocalista dos suecos Amon Amarth. Sua contribuição deixa a música ainda mais pesada, sem soar forçada. “Sons of Odin” é a próxima, com um clima épico que encaixa perfeitamente com a história de honra e coragem dos vikings. O ritmo cadenciado transforma a música num verdadeiro hino de batalha.

Os riffs voltam com tudo em “Sniper”, uma música que me lembrou bastante alguns trabalhos de Rob Halford, e “A Wizard’s Tale”, sobre Merlin e o Rei Arthur. Por mais que alguns temas sejam clichês dentro do estilo mais tradicional do heavy metal, não é necessário se aventurar fora de suas características. O segredo do Saxon é explorar bem o que sabe fazer de melhor. A faixa “Speed Merchants” mantém essa pegada (e o pique do álbum). “Roadie’s Song” remete de volta ao tema de “They Played Rock and Roll”, mas de forma mais cadenciada. Seria, por si só, um bom encerramento para o álbum, mas eles ainda incluíram como bônus uma “raw version” de “Nosferatu” – que não deve nada à original.

O Veredito

Os pontos negativos vão para a duração das músicas: não temos nada muito épico, nenhuma música chega aos seis minutos. Pra muita gente isso não chega a ser um defeito, mas criatividade suficiente para canções mais elaboradas, eles têm. O disco acaba sendo bem curto assim. E, como já disse antes, o contrabaixo não se destaca. A produção e a mixagem são muito boas, mas um pouco mais de destaque ao baixo poderia deixar as músicas (ainda) mais pesadas e empolgantes. Nada que comprometa o trabalho, no entanto.

A carreira do Saxon tem sido muito consistente, com discos bem pesados, excelente produção e heavy metal de primeira qualidade. Se jamais atingiram a popularidade de outros expoentes de sua geração, mantiveram-se fieis ao que acreditavam e não é difícil imaginar que ainda continuarão fazendo isso por um bom tempo. Thunderbolt é um atestado da capacidade da banda de se fortalecer a cada disco – algo excelente numa época em que estamos perdendo tantos ídolos. Corra já e preste suas homenagens a Thunderbolt!

Produzido por Andy Sneap

  • Biff Byford – lead vocals
  • Paul Quinn – guitar
  • Doug Scarratt – guitar
  • Nibbs Carter – bass
  • Nigel Glockler – drums
Raul Kuk

Raul Kuk

Escritor de coisas, degustador de quadrinhos, sommelier de cinema, comensal de música. Um Time Lord de 400 anos, é pai de uma pequena e encantadora khaleesi.

Topo ▲