Alkaloid “Liquid Anathomy” Resenhas

Alkaloid “Liquid Anathomy”

28 de Maio de 2018 | Gabriela Fernandes

Avaliação:

Eu tenho uma aposta pra esse ano: a de que 2018 será o ano do Progressive Death Metal. Já tivemos lançamentos excelentes do gênero, como os novos do Rivers of Nihil, Barren Earth, Augury e do consagrado Ihsahn, ex-membro do Emperor; e teremos, em breve, coisa nova também do Obscura, Black Crown Initiate e talvez até mesmo do Atheist. O novo disco do Alkaloid chegou pra expandir essa lista de lançamentos definitivos do ano, e, de quebra, se consagrar como um dos melhores do semestre e uma grande revelação do ano.

O Alkaloid foi formado em 2014 por membros e ex-membros do Obscura, renomada banda de Technical Death, junto com o atual vocalista do Dark Fortress e um ex-membro do Aborted (só galera de peso e de currículo invejável). Liquid Anathomy é o segundo trabalho de estúdio dos caras e quase passou batido. Afinal, a divulgação não foi muito boa. Mas, felizmente, um dia antes do lançamento eu esbarrei numa das músicas disponíveis até então.

Liquid Anathomy não é um típico disco de Death Metal Progressivo. O álbum tem uma gama muito extensa de ritmos. O Rock Progressivo setentista marca forte presença, e alguns momentos lembram muito o Yes na fase pop. Há, ainda, solos bem característicos de Power Metal e até influência de música indiana e árabe. Liquid Anathomy aborda ao longo de si a ciência misturada à ficção e magia, tendo até mesmo uma ambientação meio “Cthulhuana”.

Fotos promocionais de Liquid Anathomy

“Kernel Panic” é, de longe, a música que mais se distancia do padrão que o disco segue. Ela é tão diferente que você acaba se surpreendendo com a direção extremamente oposta que o álbum segue depois. Isso acontece porque “Kernel Panic” tem uma introdução super carregada no Rock Progressivo, e em alguns momentos lembra muito o som do Yes. Só depois de algum tempo que entram o peso e o gutural poderoso de Morean. Inclusive, preciso destacar a incrível versatilidade do cara. É ele quem comanda os vocais limpos também, com um timbre bastante peculiar, porém muito gostoso de ouvir.

Essa pegada do Yes se repete em “In Turmoil’s Swirling Reaches”, com muito virtuosismo, tempos mirabolantes e esbanjamento de técnica. Enquanto isso, a faixa-título é bem mais melancólica, com belíssimos arranjos de violão de uma serenidade maligna, e os vocais limpos brilhando com mais espaço. “As Decreed by Laws Unwritten” e “Interstellar Boredom” são mais pesadas e lineares (se é que eu posso usar essa palavra num álbum tão variado). Pra quem quer um porradeiro mais certeiro, são excelentes pedidas. “Chaos Theory And Practice” é um dos pontos mais altos do álbum. Em primeiro momento, segue a linha mais Death Metal convencional, mas muda o ritmo bruscamente várias vezes ao longo dos seus 8:30min, surpreendendo o ouvinte novamente.

Mas os destaques absolutos vão para “Azagthoth” e “Rise of The Cephalopods”. Em “Azagthoth”, os caras fizeram uma ambientação fudida misturando Progressive Death com música indiana/árabe. Solo incrível, bateria tinindo, efeitos sonoros pra ajudar na atmosfera… Tudo no ponto. E “Rise of The Cephalopods”, a saidera do álbum, possui quase 20 minutos de duração. O épico é uma montanha russa de ritmos, passagens e atmosferas. E agora, sendo bastante pessoal, considero uma das melhores músicas do ano. Uma obra-prima do Metal Progressivo.

Num momento onde há pouca inovação no Metal, o Alkaloid traz um trabalho original e diversificado, além de muito bem feito e com uma produção excelente. Liquid Anathomy é digno de ser apreciado com atenção e calma. O que poderia ser um amontoado de influências distintas, se tornou uma fonte para novas experimentações. É claro, não é como se os caras tivessem inventado um novo subgênero… Mas com certeza deram uma cara nova ao Death Metal Progressivo.

Ouça “Liquid Anathomy” no Spotify:
Gabriela Fernandes

Gabriela Fernandes

Carioca da gema, estudante de química e ouvinte apaixonada de música pesada. É a louca do metal progressivo e adora enaltecer as bandas favoritas na rodinha dos amigos. Seguidora de George R. R. Martin e admiradora de universos fantásticos em geral. Acredita que uma boa pizza resolve tudo.

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