Os ícones do Gothic Metal finlandês que você deveria conhecer Listas

Os ícones do Gothic Metal finlandês que você deveria conhecer

14 de Maio de 2018 | Camila Buzzo

Há quem discorde, mas os anos 90 deram lugar ao nascimento de várias bandas e fortaleceram subgêneros do metal que ainda estavam engatinhando, como bem pontuou nossa querida Gabi. Mais do que isso, a última década do século passado começava a colocar a Finlândia entre os países mais frutíferos dentro da cena mundial. Ao final dos anos 2000, o país já era considerado uma das referências máximas para estilos como Folk Metal, Power Metal, Metal Sinfônico e outras vertentes mais melódicas do metal. Apesar de algumas bandas continuarem firmes na ativa, como Amorphis, Korpiklaani e Nightwish, não podemos dizer o mesmo de outras. Nem mesmo de outros gêneros, como é o caso do Gothic Metal.

 

Mas, afinal, o que foi o Gothic Metal finlandês?

Surgido no início dos anos 90, através de bandas como Paradise Lost, Type O Negative e Theatre of Tragedy, o Gothic Metal é um gênero que combina o peso do Heavy Metal com a atmosfera sombria do rock gótico, em alta nos anos 80. Com o passar dos anos, novos elementos foram adicionados ao estilo, que em sua origem pendia mais para o lado Doom da coisa. Assim, diversas variações começavam a aparecer nas cenas regionais – e é também por isso que o gênero é um dos mais complicados de se definir. Com a cena finlandesa não foi diferente.

O Gothic Metal surgiu na Finlândia somente na segunda metade dos anos 90, apesar de muitas das bandas pioneiras já estarem na ativa há algum tempo. É fácil perceber que algumas delas possuem uma trajetória comum: começaram como bandas de Death Metal ou algum outro gênero do metal extremo, e no meio do caminho decidiram mudar sua sonoridade. A característica mais relevante do metal gótico finlandês é a aproximação maior ao Heavy Metal, ao Metal Alternativo e ao Hard Rock do que a gêneros como o Doom Metal.

Apesar de muitos adeptos do movimento gótico não aceitarem este rótulo a determinadas bandas de rock e metal, é inegável como o Gothic Metal reacendeu também a cena gótica na Finlândia. No final dos anos 90, o mundo conhecia bandas como HIM e The 69 Eyes – a primeira nunca se considerou Gothic Metal (e sim Love Metal), e a segunda se insere melhor dentro do Hard Rock e do Glam, mas admite a influência da música gótica.

O HIM foi, de longe, um dos maiores fenômenos musicais que a Finlândia já produziu. Seus dois primeiros álbuns, Greatest Lovesongs Vol. 666 (1997) e Razorblade Romance (2000), são os grandes marcos do Gothic Metal finlandês. Depois disso, a banda seguiu na direção do rock, retornando ao som mais pesado apenas em Venus Doom (2007). Apesar da carreira de sucesso, com oito álbuns gravados e uma legião de fãs, no ano passado o HIM decidiu colocar um fim na sua história.

A pesquisadora alemã Laura Schwöbel escreveu uma tese, em 2006, sobre a subcultura gótica na Finlândia, na qual afirma que a mídia foi a principal responsável por trazer à moda a temática em torno desta subcultura e rotular determinadas bandas como tal. Isto explica o “boom” de bandas finlandesas surgidas e popularizadas na virada dos anos 2000. Devemos lembrar que a Finlândia é um dos países onde o metal é um dos tipos de música mais ouvidos pela população em geral, o que contribuiu mais ainda para o fortalecimento da cena.

A “febre” do metal gótico finlandês não durou muito, infelizmente. Ao final dos anos 2000, a maioria da bandas mais importantes já havia encerrado suas atividades, e as que resistiram lutavam para manter sua relevância dentro da cena finlandesa, de modo geral. Hoje, podemos dizer que o estilo respira por aparelhos – e o metal finlandês, como um todo, já passou há muito tempo pelos seus anos de glória. Em entrevista ao Headbanger Mind, o vocalista JP Leppäluoto afirmou que surgiu o desinteresse pelo estilo, por parte da mídia e das gravadoras, e não havia mais estímulo financeiro para que as bandas pudessem seguir em frente. Sobre a cena, atualmente, ele declara:

“Não há nada muito interessante acontecendo e eu realmente estou esperando que alguma banda se torne o novo HIM ou Nightwish, mas até agora está apenas… bem, triste.”

É claro que sentir no bolso não foi o único determinante para que as bandas decidissem parar, mas certamente viver de música não deve ser fácil nem na Finlândia.

Agora que você já não está tão perdido, vamos conhecer as bandas do metal gótico finlandês que mais marcaram o gênero – mas não fizeram tanto sucesso assim – e entender, afinal, do que tudo isso se trata.

 

SENTENCED (1989-2005)

O Sentenced foi formado em 1989 na cidade de Muhos, na Finlândia, por Miika Tenkula, Sami Lopakka e Vesa Ranta, que continuaram na banda até seu fim em 2005. Sua carreira começou no Death Metal e teve seus dois primeiros álbuns sob este gênero, após a entrada do vocalista e baixista Taneli Jarva. Aos poucos, o estilo da banda foi ficando mais melódico, culminando no aclamado álbum Amok, lançado em 1995.

Logo depois disso, Jarva deixou a banda para a entrada de Ville Laihiala, que estreou na banda com o álbum Down (1996). Este foi o momento crucial para a consolidação da sonoridade do Sentenced – e pelo que a banda é conhecida hoje. Seu estilo único na cena flertava cada vez mais com o Gothic Metal em sua versão Heavy, em Frozen (1998) e Crimson (2000). Mas é com The Cold White Light (2002) que o Sentenced chega ao ápice de sua carreira.

No começo de 2005, a banda anunciou que seu próximo álbum seria o último e fez questão de fazê-lo em grande estilo: The Funeral Album. O show de despedida do Sentenced deu origem ao DVD Buried Alive, gravado em outubro de 2005 na cidade de Oulu, na Finlândia. Dando fim a qualquer esperança de uma reunião futura, o guitarrista e principal compositor, Miika Tenkula, faleceu em 2009 com apenas 35 anos, devido a uma doença cardíaca.

 

CHARON (1992-2011)

O Charon foi fundado em 1992 por Antti Karihtala, Teemu Hautamäki, Pasi Sipilä e Jasse von Hast e era, originalmente, uma banda de Brutal Death Metal. Após assinar com a gravadora Emanzipation Productions, a banda mudou sua sonoridade para o Gothic Metal, sendo uma das pioneiras do gênero na Finlândia.

Com a entrada do vocalista Juha-Pekka Leppäluoto, a banda lançou seus dois primeiros álbuns de estúdio, Sorrowburn (1998) e Tearstained (2000). Em 2001, o Charon gravou seu terceiro álbum, Downhearted, que a colocou no topo das paradas finlandesas. O sucesso continuou com os álbuns seguintes, The Dying Daylights (2003) e Songs for the Sinners (2005), este último com Lauri Tuohimaa assumindo as guitarras.

Apesar de haver interesse em gravar um novo álbum, inclusive com declarações da banda de que algumas músicas já estavam escritas, a banda acabou encerrando suas atividades oficialmente em 2011. Em entrevista com o vocalista JP Leppäluoto, ficamos sabendo que surgiram sérios problemas de relacionamento entre a banda e o guitarrista Pasi Sipilä.

 

ENTWINE (1995-presente)

Uma das poucas bandas sobreviventes do gênero, o Entwine também começou tocando Death Metal. Foi criada em 1995 por Tom Mikkola, Aksu Hanttu e Teppo Taipale em Lahti. Somente em 1997, o Entwine decidiu mudar sua sonoridade e aderir ao Gothic Metal. O álbum debut veio no ano de 1999, Treasures Within Hearts. No ano seguinte, Mika Tauriainen assume o posto de vocalista. Em 2001 e em 2002 são lançados, respectivamente, os discos Gone e Time of Despair, e que consolidam o Entwine como uma das grandes bandas finlandesas do metal gótico.

Dois anos depois, a banda resolve fazer um som mais pesado e moderno em diEversity (2005), que mantém o Entwine no auge da carreira. A mesma linha sonora pode ser observada em Fatal Design (2006) e Painstained (2009), ainda mais modernos e alternativos que seus antecessores.

Após um longo período sem lançamentos, a banda divulga seu sétimo trabalho de estúdio, que viria a ser lançado no final de 2015. Em Chaotic Nation, são retomados elementos mais melódicos sem deixar de lado as características dos últimos álbuns do Entwine. Infelizmente, não temos notícias sobre a banda desde 2016.

 

TO/DIE/FOR (1993-2016)

Em 1993, sob o nome de Mary Ann, surgia uma nova banda de Hard Rock nos arredores de Helsinki. A banda gravou dois EPs no gênero antes de decidir mudar sua sonoridade para o Gothic Metal. E assim surgiu o To/Die/For, mais um dos ícones do metal finlandês. A banda, inicialmente formada por Jarno Perätalo, Juppe Sutela, Joonas Koto, Mikka Kuisma e Tonmi Lillman, lançou seu álbum debut em 1999, sob o selo da Nuclear Blast. All Eternity trouxe visibilidade internacional para a banda, principalmente com o single “In The Heat Of The Night”, cover do hit dos anos 80. Aliás, uma das maiores influências da banda é a sonoridade oitentista – posteriormente foram gravados covers de “New Years Day” (U2), “(I Just) Died in Your Arms” (Cutting Crew) e “Straight Up” (Paula Abdul). Em 2001, foi lançado o segundo álbum do To/Die/For, chamado Eternity, com algumas mudanças no line-up.

O auge veio com Jaded (2003), considerado por muitos o melhor álbum da carreira dos finlandeses. Alguns meses após o lançamento, o vocalista Jarno Perätalo deixou a banda para criar o Tiaga, que reunia antigos membros do To/Die/For. Perätalo foi substituído temporariamente por Juha Kylmänen (Reflexion, For My Pain). Foi então que algo inesperado aconteceu: o vocalista fundador da banda decidiu tomar o nome do To/Die/For para seu novo grupo. Assim, o quarto álbum do quinteto foi lançado sob o título IV, em 2005.

No ano seguinte veio o álbum Wounds Wide Open, quando a banda decidiu entrar em um curto hiato. Apenas em 2009 a banda retornou à ativa para o lançamento de seus dois últimos álbuns, Samsara (2011) e Cult (2015), com passagem pelo Brasil em 2012. Em julho de 2016 o To/Die/For encerrou de vez suas atividades, fazendo seu último show no festival John Smith, em Jyväskylä.

 

POISONBLACK (2000-2015)

O Poisonblack foi fundado no final do ano 2000 por Ville Laihiala, à época vocalista do Sentenced, em Oulu. Seu objetivo era desenvolver suas habilidades como guitarrista e compositor, já que no Sentenced apenas cantava. Ville então reuniu Janne Dahlgreh, Janne Kukkonen, Marco Sneck, Tarmo Kanerva e o excepcional JP Leppäluoto, vocalista do Charon. O primeiro álbum da banda, Escapexstacy, foi lançado em 2003 e teve uma ótima recepção. Meses depois, Leppäluoto decide deixar a banda para se dedicar ao Charon. Foi aí que Laihiala assumiu também os vocais do Poisonblack. Em 2006, o aclamado Lust Stained Despair era lançado e ficou por uma semana no alto das paradas finlandesas.

Com uma carreira bem sucedida e várias turnês fora da Europa, o Poisonblack gravou ao todo seis álbuns de estúdio. Os trabalhos seguintes foram A Dead Heavy Day (2008), Of Rust and Bones (2010), Drive (2011) e Lyijy (2013). A sonoridade da banda originalmente se aproximava do Gothic Metal feito pelo Charon e, com o passar dos anos, foi ficando cada vez mais perto do Heavy Metal. Em 2015 foi anunciado o fim do Poisonblack através de um anúncio nas redes sociais. A banda é a única das cinco listadas que já passou duas vezes pelo Brasil, em 2011 e 2013. É possível ver trechos da turnê no clipe de “Scars”.

 

MENÇÕES HONROSAS

Reflexion (1996-2010) – A banda foi formada em Oulu, em 1996, mas teve seu primeiro álbum full-length lançado apenas em 2006. O Reflexion gravou apenas três álbuns, Out of the Dark (2006), Dead to the Past, Blind for Tomorrow (2008) e Edge (2010). Apesar de também ser considerada Gothic Metal, dependendo do álbum, sua sonoridade se aproxima mais do Hard Rock. No final de 2010, a banda encerrou sua carreira.

For My Pain… (2001-2004) – O For My Pain é um supergrupo também originado em Oulu, no ano de 2001. A banda foi fundada por Altti Veteläinen e Petri Sankala, do Eternal Tears of Sorrow. O line-up para Fallen (2003) contou, além dos fundadores, com Tuomas Holopainen (Nightwish), Lauri Tuohimaa (Embraze, Charon), Olli-Pekka Törrö (Eternal Tears of Sorrow) e Juha Kylmänen (Reflexion). Este foi o único álbum gravado pela banda até hoje e em 2004 foi anunciado um hiatus.

Lullacry (1998-2014) – A banda de Helsinki teve cinco álbuns de estúdio gravados e merece atenção especial por ser uma das únicas bandas finlandesas de Gothic Metal com vocal feminino. O Lullacry esteve na ativa de 1998 a 2005, e voltou para lançar seu último trabalho apenas em 2012. Após uma turnê comemorativa dos 15 anos da banda, foi declarado o fim de suas atividades.

 

 

Ouça abaixo à playlist no Spotify que reúne os maiores sucessos do Sentenced, Charon, Entwine, To/Die/For e Poisonblack:

Camila Buzzo

Camila Buzzo

Arquiteta aficionada por música, moda, pela cultura nórdica e ficção científica. Gótica só na alma - adora calor e raramente veste preto. Adora um drama no cinema e na literatura (olá, Dostoiévski!). Seu lema "quanto pior, melhor" se reflete também na música depressiva que nunca abandona sua playlist.

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