Yashira “Shrine” News

Yashira “Shrine”

3 de Maio de 2018 | Guilherme Guerra

Yashira. É realmente muito difícil que você já tenha ouvido falar dessa banda, por isso aos que não conhecem eu vou dar uma pequena resumida na coisa toda. O legal deles é não ter um subgênero específico, o som desse quarteto de Jacksonville flutua entre o Hardcore, Death Metal, Post Metal, Sludge e Doom. Ou seja, tudo do bom e do melhor. A banda é de 2015 e chega com seu primeiro álbum completo Shrine, alvo de nossa análise aqui.

Tudo começa em Redact (Flood) e é impossível não comparar a sonoridade logo de cara com Converge. Ficamos numa névoa de gritos, blast beats e linhas de guitarra que são absolutamente imprevisíveis. Um ótimo cartão de visitas. Writhe (Embrace), a próxima faixa, segue o mesmo caminho com a adição de um forte o traço Sludge. Ao decorrer da música o cenário todo muda de figura, Yashira passa a mergulhar num submundo do Doom com Post Metal muito interessante elevando a composição para outros patamares e surpreendendo cada ouvinte.

Raze (Deject) é algo completamente diferente das suas antecessoras. A semelhança com Neurosis aqui é invejável e posso te dizer com muita certeza que Scott Kelly ficaria muito feliz em ouvir essa banda. A vibe é bem parecida com o final da segunda faixa, uma onda mais calma que serve para “acalmar” os tímpanos e a cabeça. Diga-se de passagem a combinação das notas de baixo, bateria e os vocais serão um deleite para os fãs do já mencionado Neurosis e de tantos outros como: DeafheavenSubrosa, AgallochAlcestAmenra.

A faixa título, Shrine (Contra), nos leva a um clima de melancolia instrumental já a seguinte, Surmise (Descend), continua a pegada “sludgy” e “Neurosística” da coisa toda. Ignis (Ascend) traz nova vida ao álbum, com um riff repetitivo e uma pegada mais violenta que as antecessoras, terminando o trabalho com uma boa e longa música.

Bom, Yashira com certeza abre os olhos do público ao mostrar essa abordagem contemporânea e ao mesmo tempo saudosista do Metal e em Shirne me parece que a banda começou a dar seus primeiros passos dentro do mundo maluco/maravilhoso da música pesada. Mas, para mim faltaram alguns detalhes ao final das seis faixas. Perante todas as minhas anotações sobre as composições, uma me chamou muito a atenção: foi notável que a banda passou a se expressar melhor ao desenrolar do álbum. Me explico: de Redact (Flood) até a última música, Ignis (Ascend), o álbum foi perdendo pressão gradativamente, o que não chega a ser algo ruim porém é uma característica a ser destacada da composição. Creio que ainda faltava aquela coisinha para dar o brilho nos olhos do ouvinte. Talvez um final com mais potência e uma definição maior de personalidade musical. Embora na sexta e última faixa o peso tenha retornado acredito que Shrine se beneficiaria muito da adição de mais uma ou duas faixas tornando o álbum mais completo no meu ponto de vista.

De qualquer maneira, acho que com certeza pegarão essa manha com mais estrada. O importante é que o primeiro álbum dessa surpreendente banda de Jacksonville tá aí e foi um ótimo trabalho. Definitivamente ele poderá abrir muitas portas e olhos. Aguardo um novo álbum da Yashira e com certeza já ganharam um fã por aqui.

Guilherme Guerra

Guilherme Guerra

Editor-Chefe do Headbanger Mind

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