Qual a nossa aposta de banda revelação para 2018? Por que ouvir?

Qual a nossa aposta de banda revelação para 2018?

25 de Abril de 2018 | Guilherme Guerra

Ao longo de alguns anos eu, enquanto fã de música, traço um desafio para mim mesmo: tentar ouvir uma banda nova a cada 24h úteis. Não necessariamente fico pesquisando e notando diferenças profundas entre timbres de B ou C, mas se a banda for boa geralmente dou uma mergulhada e procuro mais músicas, detalhes e tento entender e dedicar alguns minutos da minha vida a um grupo que era totalmente desconhecido por mim ontem.

Durante a realização desse meu “desafio diário”, quase sempre facilitado pelas plataformas de streaming, recorrentemente pipoca na minha cabeça a seguinte pergunta: será que essa banda pode ser grande um dia? Será que ela pode estourar? Bom, digamos que cair nas graças do grande público é um desafio para qualquer um, ainda mais tocando metal/rock nos dias de hoje. E para piorar a cada esquina existe um concorrente. Aquela velha história de ter muita banda para apenas 2 ouvidos por pessoa é totalmente verdadeira, queria eu conseguir ouvir duas bandas diferentes, uma em cada ouvido.

Enquanto isso não acontece e eu não viro um golfinho maníaco por música para utilizar as metades do meu cérebro paralelamente, tento descobrir qual será a próxima banda que irá explodir na gringa e consequentemente uns 3 anos depois aqui. Ou não. Foi com esse espírito desbravador de um Indiana Jones do Spotify que decidi desafiar a minha linda, maravilhosa, charmosa, mas nem sempre cheirosa redação. Queria ouvir a opinião deles sobre o assunto. Qual a aposta de algumas pessoas que escrevem no Headbanger Mind para 2018?

Porém, antes de tudo, vamos colocar algumas regras aqui. Bandas que foram sucesso na gringa ano passado estão fora de cogitação: Power Trip, MyrkurCode OrangeChelsea Wolfe, Venom Prison, Pallbearer e etc já são plena realidade. A ideia aqui é achar alguma banda que vá lançar um disco esse ano e bombar ou até que já tenha lançado mas que em 2018 terá o seu ano de redenção. E antes que eu esqueça, cada um só tem direito a UMA escolha.

Que os jogos comecem e em 2019 a gente olha esse texto para ver como todo mundo errou feio. Com vocês, algumas pessoas da redação deste site ridículo.

André Luiz Oliveira

Meu voto vai pro Greta Van Fleet. O EP que eles lançaram no final do ano passado foi super elogiado e comentado pelo público de Classic e Hard Rock. Fazem um som nostálgico à la Led Zeppelin, mas conseguem apelar tanto para o público mais antigo quanto para o mais novo, o que abre uma boa margem para divulgação. Além disso, já têm muitos shows marcados neste ano, incluindo festivais, alguns solo e até abrindo para ninguém menos que Guns N Roses em algumas paradas da turnê europeia do grupo.

Monique Monteiro

Fundada em 2009, King Woman é a catarse musical de Kris Esfandiari, vocalista e líder da banda. Esfandiari cresceu dentro de uma seita cristã e essa experiência opressiva fez com que ela desenvolvesse ansiedade e depressão na infância, fato que está bem retratado em suas letras, além de críticas à forma como as pessoas usam sua religião – o medo, o ideial de apocalipse, punição, vingança divina, manipulação – e de sua experiência pessoal dentro dessa seita, que incluiu exorcismos e manipulação emocional.
King Woman faz um Doom Metal meio Shoegaze (o famoso Post-Metal) que pode agradar fãs de SubRosa, Neurosis e Battle of Mice.

Irana Gaia

Quebrei muito a cabeça e percebi que essa questão é bem mais complexa do que parece! Creio que o sucesso mercadológico de uma banda está fortemente ligado ao empenho no marketing sobre o merch, ou ao selo pelo qual ela saiu (Nuclear Blast, Season of mist, etc etc), dentre outras inúmeras questões que envolvem desde o estilo específico até o impacto visual. Tivemos um boom de bandas que investem num estilo mais darks, usando e abusando de diferentes maneiras de criar um ar sombrio, seja com o uso de máscaras/panos/capuz ou, ainda, associando isso a performances marcantes. É o caso do Batushka, do Mgla, do Uada, Schammasch.. isso pra citar só algumas. Não escolhi nenhuma dessas pq acho que elas estão firmes no circuito desde o ano passado, pelo menos.
Sendo assim, resolvi apostar em uma banda chamada Hamferð, que é de muito pra lá da curva do rio, rs. Os caras são de uma ilha chamada Faroé, que fica lá num Triângulo das Bermudas entre a Escócia e a Islândia, hahahah A banda não é recente, mas lançou um álbum esse ano e eu acho que eles vão cair no gosto da galera que curte Sólstafir e afins.

Guilherme Guerra

Cheguei a pensar em bandas de estilos diferentes como post-metal e afins, mas quis destacar a volta ao prático e cru old school de outros gêneros, sendo assim quero falar sobre Gatecreeper. Uma banda americana de Death Metal que tem feito turnê com o Power Trip, Cannibal Corpse Pallbearer. Ainda esse ano, lançaram um split com o Iron Reagan que tá fantástico. Os caras simplesmente fazem o feijão com arroz muito bem e tem aquele algo a mais contemporâneo.

Gabriela Ferreira (também representando a opinião do Raul Kuk)

Apesar de terem lançando o terceiro álbum de estúdio esse ano – e o segundo com a atual vocalista, Cammie Gilbert – só agora que o Oceans of Slumber conseguiu uma notoriedade maior. A adição de mais peso às músicas, misturando elementos do progressivo e do doom, podem ter sido importantes fatores nesse reconhecimento dentro da cena. No álbum passado, Winter (2016), a banda ainda não possuía uma identidade, passeando por vários estilos diferentes. Apesar da boa crítica sobre o lançamento de 2016, The Banished Heart (2018) conseguiu se consagrar, quase que por unanimidade, como um dos melhores discos do ano até então, devido à consistência do som e uma proposta e mensagem bem definidas.

 

 

Guilherme Guerra

Guilherme Guerra

Editor-Chefe do Headbanger Mind

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