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Entrevista: JP Leppäluoto

19 de Março de 2018 | Camila Buzzo

Ninguém menos que o dono de uma das maiores vozes do metal finlandês, Juha-Pekka Leppäluoto, mais conhecido por JP Leppäluoto (ou Jussi, para os mais íntimos), conversou um pouquinho com a gente sobre seus projetos atuais, os rumos de sua carreira e a cena na Finlândia.

Se você ainda não o conhece, está perdendo tempo. Quando digo que é um dos grandes vocalistas que o metal dos anos 2000 nos apresentou, não digo à toa.

Dê só uma olhada nesse currículo: foi líder e vocalista do Charon, banda de Gothic Metal que o tornou mundialmente conhecido; cantou no primeiro álbum do Poisonblack, Escapexstacy (2003);  foi o “rei da mística” no Northern Kings, ao lado de Marco Hietala, Tony Kakko e Jarkko Ahola; criou o Harmaja, banda de Acoustic Rock com letras em finlandês; participa desde o início do projeto Raskasta Joulua, conhecido por suas versões Heavy Metal de músicas natalinas; é vocalista da banda de Metal Cinemático Dark Sarah, ao lado de Heidi Parviainen; e, por fim, ano passado saiu em turnê pela Finlândia com Marco Hietala e Ari Koivunen (Amoral), no projeto Powerless Trio, que consiste em versões acústicas de clássicos do metal e também de hits da música pop. Além de tudo isso, JP trabalhou em carreira solo após a gravação do último álbum de estúdio do Harmaja, em 2012.

Apesar de sempre na ativa, o cantor e compositor esteve fora dos holofotes do metal por alguns anos, devido principalmente ao fim do Charon, com seu último álbum lançado em 2005. Foi uma grande surpresa para seus fãs quando ele retornou à cena mundial, em 2016, numa participação em “Dance with the Dragon”, canção de Dark Sarah. No anúncio de seu próximo álbum, fomos surpreendidos novamente com a notícia de que JP agora é membro definitivo da banda.

Agora que você já conhece melhor o trabalho do finlandês, vamos à entrevista!

 

HM: Olá JP! Para começar, poderia nos contar um pouco sobre o Powerless Trio? Como ele surgiu?

JP: O Powerless Trio surgiu da ideia de passar o tempo com alguns amigos músicos [Marco Hietala e Ari Koivunen], mas a coisa saiu de controle e acabamos fazendo uma turnê pela Finlândia neste último inverno.

 

powerless trio

Powerless Trio

 

HM: Além deste, você está com outros projetos em andamento? Como sua carreira está direcionada, musicalmente falando?

JP: Eu deixei minha cidade natal há mais de quatro anos para me concentrar na carreira de músico profissional aqui em Tampere [Finlândia], onde trabalhei em vários projetos de musicais. No momento estou trabalhando principalmente com o Raskasta Joulua, agora há 13 anos (!), e minha própria turnê também na época de Natal. Também me tornei membro fixo do Dark Sarah e nós acabamos de finalizar as gravações do nosso terceiro álbum. Além de todos esses trabalhos, estou me preparando para lançar meu próprio álbum de rock/pop melódico, sombrio e xamânico, e durante esta primavera eu levarei meu “filho” pro estúdio.

 

HM: Sua participação no Dark Sarah pegou alguns fãs de surpresa (mas uma surpresa boa, ao menos para mim), pois fazia algum tempo que não víamos um trabalho de metal seu gravado, ainda mais num dueto com Heidi Parviainen. Como tudo isso se deu? Como está sendo essa experiência para você? Você é membro efetivo agora, ou é apenas para o álbum The Golden Moth?

JP: Sou membro efetivo e tem sido muito divertido! Eu realmente gostei da maneira que o Dark Sarah aproximava o metal com seus elementos teatrais e quis participar da banda quando me convidaram. Sei que o Dark Sarah será aquele tipo de banda única quando nosso terceiro álbum for lançado.

 

 

HM: Sei que já faz alguns anos, mas o que motivou o encerramento do Charon, visto que havia nos planos da banda gravar um sucessor para Songs for the Sinners?

JP: Se tornou absolutamente impossível trabalhar com nosso guitarrista Pasi Sipilä e a química da banda ficou péssima por um bom tempo por causa dele. Estávamos bem por alguns anos, mas durante as gravações de Songs for the Sinners e depois de seu lançamento, ninguém já o aguentava mais, então tentamos continuar sem ele mas não era a mesma coisa. Durante esse tempo nós perdemos a paixão por compor música como a do Charon e parecia que estávamos traindo a nós mesmos, então decidimos salvar o que restava da nossa amizade e enterramos aquilo que estava nos dividindo.

 

HM: Você gostaria de ter outra banda de metal? Se sim, de qual estilo seria?

JP: Sim, e há algo muito parecido com o metal vindo do meu trabalho solo. O gênero ainda é um grande ponto de interrogação, mas estamos nos movendo em águas sombrias.

 

HM: Podemos esperar novos trabalhos do Harmaja, ou a banda está em hiatus?

JP: A banda está em hiatus e será retomada se for preciso e quando sentirmos que for preciso.

 

 

HM: Quais as suas bandas e artistas preferidos hoje em dia? O que você tem ouvido?

JP: Bem, eu escuto praticamente qualquer coisa, mas tenho ouvido menos metal. No momento, enquanto respondo a esta entrevista, estou ouvindo Pretty Lights. Ontem eu estava ouvindo Eliot Sumner. Tudo depende do meu humor, mas quase tudo está valendo.

 

HM: Você gostaria de tocar no Brasil um dia?

JP: Mas é claro! É um dos meus sonhos.

 

Charon

Charon

HM: O “boom” do Gothic Metal finlandês lançou a Finlândia no cenário do metal no mundo, através de bandas como HIM, Charon, Poisonblack e Sentenced. Infelizmente todas essas grandes bandas já encerraram suas atividades ou mudaram de estilo em seus anos finais e o gênero praticamente desapareceu da Finlândia. Como você esteve bem no centro disso tudo, tem alguma idéia dos motivos que levaram a este “declínio”?

JP: Basicamente as gravadoras não quiseram mais lançar este tipo de música, então não havia dinheiro para as bandas seguirem em frente.

 

HM: Falando nisso, como está a cena do metal na Finlândia? Os músicos e bandas costumam se apoiar? O público costuma frequentar eventos underground?

JP: Não muito nos dias de hoje, onde tudo é sobre Rap, mas os gêneros vêm e vão e um dia, novamente, será a vez do metal, mas não agora. O metal finlandês parece um pouco triste pra mim neste momento, não há nada muito interessante acontecendo e eu realmente estou esperando que alguma banda se torne o novo HIM ou Nightwish, mas até agora está apenas… bem, triste.

 

*Entrevista concedida por e-mail, originalmente em inglês. Traduzida livremente pela autora.

Camila Buzzo

Camila Buzzo

Arquiteta aficionada por música, moda, pela cultura nórdica e ficção científica. Gótica só na alma - adora calor e raramente veste preto. Adora um drama no cinema e na literatura (olá, Dostoiévski!). Seu lema "quanto pior, melhor" se reflete também na música depressiva que nunca abandona sua playlist.

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