Metal Unplugged – 10 acústicos para você ouvir News

Metal Unplugged – 10 acústicos para você ouvir

6 de Março de 2018 | Camila Buzzo

É sabido, e não é de hoje, que nem só de música pesada vive o headbanger e nem só de pedrada vivem nossas bandas preferidas. Quando queremos ouvir um som diferente, nem sempre precisamos buscá-lo fora do nosso gênero musical preferido. Algumas bandas vão além de meras músicas soltas e gravam, com maestria, trabalhos inteiros no formato acústico, sejam eles de músicas inéditas, sejam de releituras desplugadas de seus maiores clássicos. Sei que muita gente torce o nariz pro metal unplugged, e se você por acaso faz parte desse grupo, te convido a dar uma chance para os trabalhos a seguir. Vamos conhecer?

 

Katatonia – Sanctitude (2015)

Nada mais natural que uma banda soturna (e maravilhosa) como o Katatonia toque numa igreja neogótica e à luz de velas. Tudo começou após o lançamento do álbum Dethroned & Uncrowned, de 2013, que nada mais é que uma versão acústica do álbum anterior, Dead End Kings. A turnê acústica pela Europa, chamada Unplugged & Reworked, culminou na gravação do show mais lindo que já vi em toda a minha vida. Sanctitude é um trabalho semiacústico que conta com a releitura de 17 clássicos da banda sueca, além da participação de Silje Wergeland (The Gathering), que também canta na versão de estúdio de “The One You Are Looking For Is Not Here”.

 

Eluveitie – Evocation I – The Arcane Dominion (2009)

Pode parecer meio óbvio dizer que um álbum acústico de folk metal consiste em tirar o metal e deixar apenas a música tradicional que, ao lado do metal, forma a base de sua sonoridade. O Eluveitie, porém, mostra que não é tão óbvio assim – seu primeiro álbum inteiramente acústico não simplificou tanto as coisas. As faixas, quase todas inéditas, oscilam entre o instrumental puramente tradicional e composições mais modernas, nas quais o violão e a percussão entregam uma base com maior peso. Evocation I, lançado em 2009, foi o terceiro álbum de estúdio da banda suíça e só recebeu uma sequência no ano passado, Evocation II – Pantheon, dessa vez com o line-up bem diferente do primeiro acústico.

 

Green Carnation – The Acoustic Verses (2006)

Um tanto desconhecida fora de seu gênero principal, a banda norueguesa de metal progressivo foi criada por Terje Vik Schei (mais conhecido como Tchort) antes de seu ingresso no Emperor, em 1990. Após várias experimentações ao longo de sua carreira, o Green Carnation lançou seu primeiro álbum de inéditas inteiramente acústico em 2006. The Acoustic Verses apresenta uma versão mais acolhedora e suave da banda, ao mesmo tempo em que mantém a aura sombria e melancólica de seus anos inciais. No ano seguinte, sob uma barragem nos fiordes noruegueses, foi gravado o DVD A Night Under the Dam, contendo o álbum acústico na íntegra.

 

 

Myrkur – Mausoleum (2016)

Se este post fosse uma competição entre quem escolheu o local mais melancólico para gravar seu álbum acústico, a vencedora seria a dinamarquesa Amalie Bruun. Mausoleum foi literalmente gravado num mausoléu, o túmulo do artista norueguês Emanuel Vigeland, conhecido por suas pinturas decorativas em igrejas. O álbum consiste em novas versões de canções já gravadas pela Myrkur e conta com a participação de um coral de meninas e de Håvard Jørgensen (ex-Ulver). Nem é preciso dizer que o resultado disso tudo foi surpreendentemente belo – a acústica obtida através do teto abobadado do mausoléu foi determinante para criar o clima sobrenatural presente nas nove faixas.

 

Within Temptation – An Acoustic Night at the Theatre (2009)

Os ícones do metal sinfônico holandês, após o sucesso de Black Symphony (2008), escolheram a sonoridade acústica para seu segundo álbum ao vivo. An Acoustic Night at the Theatre é fruto da turnê Theatre Tour e foi gravado em novembro de 2008 em Eindhoven, na Holanda. O show possui apenas registro de áudio (infelizmente) e conta com a participação de Anneke van Giersbergen em “Somewhere”, Mina Caputo em “What Have You Done” e Chris Jones no single então recém-lançado “Utopia”. Ao todo, são 12 faixas e 03 bônus em versões acústicas de alguns dos maiores sucessos do Within Temptation.

 

Anathema – A Sort of Homecoming (2015)

O Anathema também entrou para o rol das bandas que gravaram shows acústicos em igrejas da Inglaterra. Ao menos eles estavam em casa, não é? Dessa vez, o cenário escolhido foi a catedral de Liverpool. Após uma extensa turnê de divulgação do álbum Distant Satellites (2014), a banda britânica fez um único concerto na catedral de Gloucester, que deu início à idéia de gravar A Sort of Homecoming. O concerto semiacústico conta com 16 faixas e teve a participação da renomada violinista Anna Phoebe, que viria a colaborar no último álbum solo de Danny Cavanagh, lançado no ano passado. Aliás, quem já viu apresentações solo dos irmãos Cavanagh teve uma palhinha do que é o Anathema em versão acústica.

 

Devin Townsend – Unplugged (2011)

Não é segredo pra ninguém que Devin Townsend é um grande experimentador dentro do rock e do metal, inclusive a Stephany, aqui do HBM, está trabalhando num texto dedicado ao músico canadense (spoiler). Após lançar os primeiros quatro álbuns do Devin Townsend Project, o músico decidiu pegar um violão e gravar versões acústicas de músicas do DTP e de trabalhos anteriores de sua carreira solo. É isso mesmo, apenas voz e violão criaram uma ambientação incrível e nos dão uma pequena ideia da versatilidade – e genialidade – de Devin Townsend.

 

The Gathering – Sleepy Buildings – A Semi Acoustic Evening (2004)

No ápice da era Anneke, em 2003, o The Gathering decidiu gravar seu segundo álbum ao vivo. Dessa vez, a cidade de Nijmegen (Holanda) deu lugar ao primeiro semiacústico da banda, que há alguns anos deixara o doom metal para se tornar um dos grandes nomes do rock alternativo europeu. O disco conta com versões desplugadas de canções originalmente pesadas, como “Eléanor” e “In Motion #2”, do álbum Mandylion (1995), além de outros clássicos então mais recentes que se aventuram pelo progressivo, shoegaze e trip hop. Além da voz incrível de Anneke van Giersbergen, como sempre, o instrumental entrega uma atmosfera sublime graças principalmente ao uso do piano e sintetizadores.

 

Månegarm – Urminnes Hävd (The Forest Sessions) EP (2006)

Uma das maiores bandas de viking metal da Suécia também se aventurou nos mares acústicos após o grande sucesso do álbum Vredens Tid, lançado no ano anterior. Percorrendo a mesma linha de faixas acústicas já lançadas pelo Månegarm, vemos em Urminnes Hävd influências do neofolk escandinavo ora em tons festivos, ora em composições mais intimistas. O EP acústico de canções inéditas foi gravado com a participação da banda sueca Två Fisk Och en Fläsk, que se dedica à música medieval.

 

Pain of Salvation – 12:5 (2004)

Além de ser seu primeiro acústico, 12:5 é o primeiro show gravado da banda sueca de metal progressivo. À época, o Pain of Salvation possuía apenas quatro álbuns, Entropia (1997), One Hour by the Concrete Lake (1998), e os hoje clássicos The Perfect Element, Part I (2000) e Remedy Lane (2002). O show, gravado em maio de 2003 na cidade de Eskilstuna, na Suécia, foi dividido em três partes – ou “livros” – com 16 faixas no total e tem registro oficial apenas em áudio. Além de contar apenas com instrumentos acústicos, a maior parte das músicas recebeu novos arranjos e camadas, numa bela reinterpretação dos seus trabalhos de estúdio.

 

Camila Buzzo

Camila Buzzo

Arquiteta aficionada por música, moda, pela cultura nórdica e ficção científica. Gótica só na alma - adora calor e raramente veste preto. Adora um drama no cinema e na literatura (olá, Dostoiévski!). Seu lema "quanto pior, melhor" se reflete também na música depressiva que nunca abandona sua playlist.

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