Angra “Omni” Resenhas

Angra “Omni”

5 de Março de 2018 | Stephany Nusch

Avaliação:

O mais novo disco do nosso querido Conjunto Angra chegou. Comentamos bem no início do ano que já esperávamos ansiosamente por ele. Omni tem a proposta de passear pelos lados mais progressivos do metal e experimentar novos caminhos. Atualmente, a configuração da banda está assim: Fabio Lione (vocal), Rafael Bittencourt (guitarra), Marcelo Barbosa (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria).

O Angra começou a divulgar a confecção do novo álbum relativamente cedo. Deixaram os fãs por dentro de todas as etapas: composições, ensaios, gravações… tudo estava sendo compartilhado principalmente por meio de vídeos. Através do YouTube, os caras engajaram uma grande parcela de pessoas e conseguiram deixar todo mundo curioso a respeito do que sairia do Omni.

Espere o inesperado

“Light of Transcendence” resgata a identidade do power metal clássico. Algo nada estranho para os integrantes que já são bastante familiarizados com o estilo. Ela é uma escolha muito boa para abrir o disco e situar todo mundo. Em seguida, “Travelers of Time” acrescenta os elementos do tão temido progressivo, que já estava prometido pra aparecer e ninguém sabia exatamente o que esperar. Acontece que funcionou muito bem. Claro, não vai ser uma música que um fã de power metal vai ouvir de primeira e digerir bem, mas metal progressivo é isso. Após algumas ouvidas creio que todos possam aproveitar a música e tudo o que ela tem pra oferecer.

Um pouco antes do lançamento do Omni, surgiram alguns boatos na internet de que haveria a participação da Sandy e da Alissa White-Gluz (Arch Enemy). Na mesma música. É claro que esse foi mais um ponto que gerou curiosidade da parte de todos os fãs. Uma vez que a música foi lançada, fez um sucesso absurdo.

Trabalhando com várias ferramentas

Ultrapassando hits que sustentavam o primeiro lugar há semanas na playlist Viral do Spotify, “Black Widow’s Web” é uma música que fala justamente da dualidade das relações pela internet. Os três vocalistas tem seus momentos de brilho e a música contempla muito bem todas as vozes. Essa é, inclusive, a primeira música do Angra que conta com gutural. E deu super certo! É uma faixa que começa suave e vai crescendo até chegar num refrão enérgico e super chiclete. Os solos de guitarra também se destacam nessa música, emendando várias nuances. É uma mistura. Cheia de sentimentos, cheia de altos e baixos que a tornam mais interessante a cada ouvida. Basicamente uma síntese do álbum como um todo.

Seguindo, “Insania” dá uma parada na quantidade de coisa nova. Ela mantém a vibe do CD e tem uma melodia muito, mas muito grudenta! Vale mencionar que essa é mais uma música na qual o Bruno se sai muito bem na percussão. Talvez ela até tenha sido colocada nessa ordem no disco pra nos preparar pra próxima, que é uma balada. “Bottom of my Soul” é uma das coisas mais lindas que eu já ouvi vindo do Angra.

Dessa vez quem assume o vocal é o Rafael. A música combina demais com a voz dele, a atmosfera muda de maneira sutil e precisa. Eu gosto de dizer que essa é uma música que podia muito bem estar num disco do Ayreon, de tão bem trabalhada. Como eu amo uma música mais “de boa”, ela é com certeza a minha favorita. Tudo casa muito bem: melodia, letra, atmosfera. Não tem nada nela que eu mudaria. É um show à parte por si só.

A forte identidade do Angra

A música que retoma a levada do power metal é “War Horns”. Depois de o Rafael deixar a gente chorando largado, o Lione retoma seu posto pra botar todo mundo pra cima. Nessa faixa temos o retorno de Kiko Loureiro, que assume a autoria do solo de guitarra. O membro que esteve se dedicando ao Megadeth não deixou seus colegas completamente sozinhos durante o processo do Omni e entrega uma participação bastante elogiada pelo fandom. Dando sequência, “Caveman” complementa o que eu dizia antes sobre animar mais as coisas e mantém as características principais do disco. Preciso mais uma vez elogiar a performance do Bruno.

“Magic Mirror” é uma das minhas favoritas também. Além de um refrão super grudento, o solo de guitarra seguido pelo piano e a maneira como a dinâmica da música muda é simplesmente sensacional. Próximo do final da música aparecem alguns sintetizadores que dão um ar meio Dream Theater bastante empolgante. A transição dela para a próxima é bem sutil e você mal percebe que mudou de música. Isso é algo que eu gosto muito que aconteça nos discos que ouço. Gosto demais dessa sensação de continuidade. “Always More” é a segunda balada do Omni e mais um momento muito gostoso de aproveitar.

Há quem diga que baladas quebram a vibe do disco, que são sem graça e mais um monte de coisas. Eu particularmente acho incrível como algumas bandas conseguem entregar músicas tão diferentes e igualmente agradáveis. Acredito que seja muito importante explorar e trazer sensações diversas para um álbum. “Always More” é um respiro, um momento de descanso. Perto de finalizar o álbum, dá uma sensação de “fim”, de que logo tudo vai se concluir.

Omni

A faixa título foi dividida em duas partes. A primeira, com oito minutos e meio de duração é uma prova de que os caras fizeram a lição de casa direitinho. Essa música mistura tudo o que já ouvimos até então: o vocal do Rafael e o do Lione, o baixo do Felipe sempre muito presente, a bateria precisa, as guitarras pesadas e melódicas. É uma música que não cansa e se reinventa a cada minuto. Na qual todos os músicos tem seu momento de brilho e conseguem mostrar o que tem de melhor. Afinal de contas, nenhum desses caras é iniciante. A sensação constante de ouvir o Omni é ouvir um grupo de pessoas que entende do que faz pra muito além do metal. É gente que sabe fazer música, seja lá qual estilo eles precisem misturar pra que ela aconteça.

A segunda parte de “Omni” é um instrumental bem bonito que mistura a melodia de várias das músicas anteriores. Parece que é aquela música que toca quando os caras estão se despedindo dos fãs depois de um show comemorativo. Ou quando você termina um filme estão rolando os créditos. É realmente a conclusão de tudo. Uma despedida até o próximo disco dos caras.

Omni é um álbum coeso e que cumpriu muito bem a proposta trazida. Juntando músicos excelentes em suas competências e que mostram estar à vontade com sua sonoridade. Marcelo Barbosa assumiu o posto do Kiko Loureiro sem nenhuma dificuldade aparente – responsabilidade nada fácil. Os vocais e as participações especiais foram divididos de maneira bem balanceada e coerente. Nada parece estar fora do lugar. Em anos, parece que o Angra conseguiu transformar-se da melhor maneira, de acordo com os objetivos da banda.

Stephany Nusch

Stephany Nusch

Estudante de Produção Musical e Showbusiness, é apaixonada por metal desde o início da adolescência. É bastante fã de literatura fantástica e de gatinhos. Acredita que toda arte tem seu valor e manda "Come to Brazil" nas redes sociais das bandas sem um pingo de vergonha na cara.

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