Harakiri For The Sky “Arson” Resenhas

Harakiri For The Sky “Arson”

1 de Março de 2018 | Gabriela Fernandes

Avaliação:

É difícil dizer exatamente o que é o Post-Black Metal. Se você fizer uma busca no Google, talvez não ache uma definição tão facilmente. Porém, entende-se que esse gênero englobe as bandas que têm sua raiz no Black Metal tradicional, mas que são livres pra explorar na música. O Post-Black Metal, então, pode ser uma grande mistura de sons com a base do Black Metal. Em geral, as bandas são bastante Experimentais e Atmosféricas, e o exemplo perfeito disso é o Harakiri For The Sky.

A banda da Áustria diz que seu principal objetivo é fazer Black Metal áspero, porém melódico e bonito. É formada somente por dois integrantes, o multi-instrumentista Matthias Sollak (creditado no CD como M.S.) e o cantor V. Wahntraum (J. J.), também responsável pelas letras. Juntos, eles já lançaram quatro álbuns, sendo o último o desta resenha, Arson, lançado no dia 16 de Fevereiro.

“Fire, Walk With Me” é a faixa que introduz o ouvinte ao novo trabalho. O disco abre as portas com um breve piano, seguido por uma guitarra ecoando ao fundo. Mas não demora até que os riffs altamente distorcidos (bem característicos do estilo) comecem e os gritos rasgados de J.J. explodam os nossos ouvidos. A guitarra base repetitiva em alguns momentos dá um clima épico e atmosférico à música, acompanhada de belas melodias na guitarra principal.”The Graves We’ve Dug” e “You Are The Scars” seguem a mesma linha. Com alguns segundos de calmaria, que logo explodem em guitarras altas e gritos. Porém, por seguirem uma “fórmula”, acabam se tornando cansativo ouvir uma atrás da outra.

Uma das que mais curti, “Heroin Waltz”, um dos singles do novo disco, tem a introdução mais bonita do álbum, toda trabalhada no dedilhado do violão acústico. Se iniciam, então, os riffs mais característicos e marcantes de Black Metal tradicional até então, num belo contraste repentino. A música possui vários momentos, desde sessões acústicas até momentos altamente atmosféricos e épicos, o que ajuda a não torná-la cansativa.

“Tomb Omnia” tem uma das minhas melodias favoritas em Arson. Porém, o problema da linearidade continua. Os vocais de J.J. são muito retos, contínuos, não apresentam mudança durante todo o desenrolar do álbum, dando uma sensação de “Eu já ouvi isso antes”. O estilo linear de canto é suficiente pra começar a irritar em uma certa altura do disco. Principalmente pra aqueles que não são muito fãs do estilo de gutural mais agudo. Vale mencionar que todas as músicas do álbum são extensas (a faixa mais curta tem 8 minutos), e isso acaba tornando o problema ainda mais crítico.

“Stillborn” tem uma pegada mais interessante, com algumas partes mais rápidas que lembram um pouco o Punk Rock e o Thrash Metal. Ainda assim, a música diminui de ritmo algumas vezes, criando melodias muito bonitas e agradáveis. O ápice de “Stillborn” é depois da metade da faixa, onde o clima acalma bastante e duas guitarras constroem um mesmo dedilhado, crescendo até estourarem em proporções épicas. Sem dúvidas, a minha favorita do disco. Ponto pros austríacos! Em contraponto “Voidgazer” se apresenta sem grandes novidades, mas não deixa de ser uma boa música.

Conclusão

As músicas isoladas são muito, MUITO boas! Quando eu ouvi os três singles pela primeira vez, adorei cada uma delas. Porém, ao juntar tudo num compacto de mais de uma hora, os ouvidos rapidamente se cansam. Grande parte da crítica vai ao vocalista, que mantém uma linha vocal muito contínua o disco inteiro, particularmente, me enjoa facilmente. Os parabéns vão ao M.S., que conduziu os instrumentos com maestria e criou uma atmosfera muito gostosa de ouvir. Menção honrosa ao baterista convidado Kerim Lechner, responsável pelas baquetas do Septicflesh.

No geral, Arson é um bom disco, sim. Talvez agrade bem mais aos já fãs do estilo, que estão acostumados à algumas características que eu citei durante a resenha. Meu favorito continua sendo o disco anterior, Trauma: III, que conseguiu ser mais diversificado e dinâmico do que o lançamento desse ano. Mas ainda assim vale a pena conferir o trabalho, que possui uma beleza inegável, ainda mais se você é entusiasta do Black Metal e suas vertentes.

Gabriela Fernandes

Gabriela Fernandes

Carioca da gema, estudante de química e ouvinte apaixonada de música pesada. É a louca do metal progressivo e adora enaltecer as bandas favoritas na rodinha dos amigos. Seguidora de George R. R. Martin e admiradora de universos fantásticos em geral. Acredita que uma boa pizza resolve tudo.

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