All of them witches – 13 bandas de Occult Rock com mulheres no vocal Listas

All of them witches – 13 bandas de Occult Rock com mulheres no vocal

12 de Fevereiro de 2018 | Monique Monteiro

Quase todo mundo já sabe que o Black Sabbath criou o heavy metal como conhecemos, e que de todos os subgêneros que dele vieram, o doom e seu filhote maconheiro, o stoner metal, são os que mais buscam referência criativa no estilo mais lento e obscuro que a banda de Birmingham costumava fazer. O que não muitas pessoas sabem é que, antes dos membros do Earth mudarem o nome da banda para Black Sabbath depois de uma sessão do filme homônimo, e que mesclava a solidão a temas ligados ao ocultismo em suas músicas, uma banda norte-americana chamada Coven já fazia isso, ao som da sombria voz de Jinx Dawson. Na contracapa de seu primeiro LP, Witchcraft Destroys Minds & Reaps Souls, os três membros da banda (um deles, o baixista Oz Osborne) aparecem fazendo o famoso sinal da “mão chifrada”, isso em 1969, bem antes de Ronnie James Dio lembrar do sinal feito por sua avó italiana quando via alguém que não gostava.

Além do black metal, o doom metal também se apropria da temática ocultista, com referências a figuras emblemáticas como Aleister Crowley e Cagliostro, filmes setentistas de witchsploitation e folk horror, folclore, religiões pré-cristãs, templos, cultos satânicos, e foi cunhado o termo occult rock. Dentro dessa definição, podemos citar inúmeras bandas tanto de classic rock e rock psicodélico quanto de doom, stoner e sludge metal, e é impossível estabelecer uma quantidade certa de bandas porque o gênero vem ganhando força, e isso torna difícil acompanhar a quantidade delas que surgem. Muitas são mais-do-mesmo, mas existem aquelas que acrescentam elementos interessantes ao gênero, seja nas letras, no instrumental ou nas texturas que a banda explora.

Dessas, escolhemos bandas com mulheres no vocal.

13) SubRosa

SubRosa não é uma banda que se encaixa na descrição que eu dei de occult rock, mas seu primeiro álbum, Strega, reúne elementos do horror e bem, Strega é a palavra italiana para “bruxa”. Como misturar Sludge metal com bruxaria e fantasmas? Elas sabem BEM como!

12) Riti Occulti

Riti Occulti foi uma banda que combinava black e doom metal e, em alguns momentos, com uma atmosfera psicodélica obtida pelos sintetizadores. Serena Mastracco e Elisabetta Marchetti dividem os vocais, Serena no gutural e Elisabetta nos vocais líricos e sem guitarras, com o peso sendo marcado fortemente pelo baixo. Tratam de satanismo e magia negra em suas músicas, mas não liberam as letras. Infelizmente, a banda encerrou as atividades em 2017, mas deixaram três excelentes álbuns e uma curiosa versão de Eleanor Rigby.

11) Seremonia

Seremonia” é o finlandês para “ceremony”, idioma em que são cantadas as músicas dessa banda de doom/rock psicodélico. O clima explorado pela banda é bem bacana, mas infelizmente não dá pra saber a que divindades abissais eles estão se referindo. Se algum leitor souber finlandês, apreciaremos a tradução! 🙂

10) Ides of Gemini

Os primeiros álbuns do Ides of Gemini são difíceis de classificar. Cada música é um universo sombrio em si, e esses universos se interconectam pela voz de Sera Timms, que parece vir do fundo de uma abside assombrada. O terceito álbum, Women, é bem mais próximo do post-punk do que do doom metal. Sera diminui o reverbe, e podemos ouvir sua forte e poderosa voz, que é bastante parecida com a de Siouxsie Sioux. Women é um álbum que foca em mulheres, reais e folclóricas. A nona faixa, She Has a Secret, conta com a participação da maravilhosa Emma Ruth Rundle (Red Sparowes, Marriages).

9) Bathsheba

Muitos de vocês já devem ter assistido ao filme Invocação do Mal (The Conjuring, 2013) e conhecido Bathsheba Sherman. A mulher que inspira essa personagem nasceu em Rhode Island, em 1812, sob o nome Bathsheba Thayer. Conta-se que Bathsheba era uma mulher bastante bonita e que foi acusada de bruxaria porque algumas crianças morreram sob seus cuidados. E já que bruxaria é um dos temas que move o doom/stoner metal, nome melhor não poderia ter sido escolhido para essa banda da Bélgica que tem seu início com a saída de Michelle Nocon da banda SerpentCult.

8) The Devil’s Blood

Banda de rock psicodélico fundada por Selim Lemouchi e sua irmã, Farida “The Mouth of Satan” Lemouchi. Com a morte de Selim, a banda encerrou suas atividades e infelizmente, não ouvimos mais a voz de Satã sair pela boca de Farida (aliás, que vozeirão).

7) Alunah

Banda de doom/stoner relativamente recente, que iniciou a carreira em 2006 com o nome Aluna, trocando para Alunah em 2008. A magia, o folclore e a mitologia marcam as letras da banda. Recentemente, a vocalista original, Sophie Day deixou a banda e foi substituída por Siân Greenaway.

6) Castle

Das bandas citadas até agora, Castle é a que carrega mais no som. Em vez do psicodélico stoner, o power-trio puxa mais pro lado do heavy/doom tradicional, e não deixa de lado a temática ocultista. O primeiro álbum, In Witch Order, lembra algumas coisas do Motörhead e é uma pedrada que vale a pena levar.

5) Cauchemar

Cauchemar significa “pesadelo” em francês, idioma original dessa banda do Quebec. Apesar de ter sido fundada em 2007, Cauchemar parece uma banda do auge do NWOBHM, com sua pegada mais puxada pro heavy metal tradicional. Fato curioso: Annick Giroux, vocalista e baixista da banda, lançou um livro de culinária chamado “Hellbent for Cooking: The Heavy Metal Cookbook”.

4) Blood Ceremony

Blood Ceremony é uma banda de rock/psicodélico/doom metal. Além de Alia O’Brien ser uma vocalista maravilhosa, ela também toca flauta, e o som que fazem transporta nossas mentes para uma desta Dionisíaca, ou para um sabá de feiticeiras presidido pelo próprio 7 Peles, só depende de qual música você escuta.

O nome da banda veio de um filme espanhol de 1973 chamado Ceremonia Sangrienta, que conta a história da condessa Elizabeth Bathory.

3) Sabbath Assembly

Formada por membros da Process Church of the Final Judgement, a Sabbath Assembly toca os hinos dessa igreja. Seu primeiro álbum, Restored To One, contava com a voz de Jex Thoth mas, em 2011, ela deixou a banda e Jamie Myers (ex-Hammers of Misfortune) assumiu o posto.

2) Lucifer

Depois de encerrar as atividades com o The Oath, Johanna Sadonis criou o culto que leva o nome de seu mestre, Lucifer. Brincadeiras à parte, Lucifer I, o primeiro álbum da banda, trata de magia e amor. Para o segundo álbum, Lucifer II, que está em vias de ser lançado e já conta com um single, a sacerdotisa Johanna chamou seu noivo, Nicke Andersson (Entombed, ex-Hellacopters) para se juntar ao culto.

1) Jex Thoth

Jessica Bowen, mais conhecida como Jex Thoth, é, talvez, a figura mais enigmática dessa lista. Ela é membro da Process Church of the Final Judgement, uma religião um pouco controversa que alega que Jeová, Jesus, Lúcifer e Satanás são partes de um mesmo todo e precisam ser cultuadas em igualdade. Dona de uma voz rouca e poderosa, Jessica evoca um estado diferente de consciência. Ao vivo, ela é uma entidade vinda de outra dimensão para nos arrastar com ela para uma viagem psicodélica, sem nem ao menos precisarmos de ajuda de psicotrópicos. Warrior Woman, do álbum Jex Thoth, é um hino.

Monique Monteiro

Monique Monteiro

Historiadora aficcionada por História tardo-antiga e medieval. Adora cinema de horror, Tolkien, Lovecraft, Edgar Allan Poe e Arquivo X. Não consegue ficar sem música e brinca com todos os gatos que encontra.

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