Machine Head “Catharsis” Resenhas

Machine Head “Catharsis”

10 de Fevereiro de 2018 | Stephany Nusch

Avaliação:

Há alguns meses, o Machine Head anunciou que seu álbum novo se chamaria “Catharsis”. Traduzindo o termo, “Catarse” significa algo como “limpeza” ou “purificação pessoal”. Na literatura, a palavra tem o significado de “atingir o ápice”. Quando o espectador observa a passagem da história do maior momento de realização do personagem até seu declínio. Um dos primeiros lançamentos de 2018, quando o álbum chegou nas terras da Internet ele acabou dividindo muitas opiniões.

O Machine Head que já conhecemos

“Catharsis” é aberto com aquele groove chamando todo mundo pra roda através da música “Volatile”. A faixa, completamente agressiva, é justamente aquilo que você deveria esperar do Machine Head. Funciona bem nesse primeiro contato com o álbum até porque a letra fala sobre problemas da sociedade. Imaginei que esse tema fosse ser abordado mesmo. Aliás, qualquer pessoa que acompanha o Robb Flynn nas redes sociais deveria esperar por isso. Questões sociais são frequentemente abordadas pelo músico e isso se reflete em suas composições.

A seguir, o carro-chefe e música título do disco nos apresenta uma atmosfera diferente. Da primeira vez que ouvi “Catharsis”, fiquei um pouco confusa. Parecia uma colcha de retalhos. O que eu senti, de primeira, foi que aí tinham pelo menos três músicas misturadas e que não tinham funcionado muito bem juntas, mas depois de ouvir algumas vezes eu consegui absorver melhor e provavelmente é uma das minhas favoritas do disco. Isso é algo que acontece muito nesse álbum. Definitivamente se você ouvir uma única vez, vai sair sem entender nada. Falaremos disso mais pra frente. Voltando pra música, ela transita por uma melodia chiclete e lenta e vai evoluindo pra um clímax bem pesado que deve funcionar muito bem ao vivo. Ponto pro Machine Head!

O álbum em questão tem 15, sim, 15 músicas. Não é algo exorbitante, mas considerando a duração média de 5 minutos de cada uma, é coisa pra caramba e isso pode acabar ficando cansativo. Estamos falando de 1h14min. “Beyond the Pale” fecha a primeira parte de uma divisão fictícia que eu fiz entra as músicas. Ela é tão agressiva e cheia de energia como suas antecessoras e, se o álbum continuasse assim, poderíamos até dizer que ele é coeso. Mas o que acontece em seguida é que começa a nossa viagem do nada à lugar nenhum.

Afinal, do que se trata esse álbum?

“California Bleeding” é uma música sobre o estado da Califórnia (uau!) que basicamente usa sua letra para fazer trocadilhos com os nomes das cidades. Apesar de manter o peso e ter um refrão legal, foge completamente do que estava sendo tratado nas demais letras. Não é uma música da qual eu exatamente sentiria falta se fosse cortada. Aliás, nas palavras do próprio Robb, essa é uma música “nada com nada”.

“Essa é uma música boba cheia de merda ignorante, ha ha! É sobre a minha relação de amor e ódio com a Califórnia.”

Em seguida, “Triple Beam” é uma estranha mistura de Otep com Limp Bizkit. Robb Flynn coloca seus dotes rappers em ação numa música que basicamente fala sobre brigas de rua, drogas, sexo e confusão. Tem um groove muito legal, mas novamente a intenção do disco como um todo se perde, se é que ela existe.

Com um coro do qual eu não sou muito fã, “Kaleidoscope” começa sem instrumental e vai adicionando elementos conforme a música cresce. Estranhamente também é uma das quais eu mais gosto. Volta pra vibe do início do álbum e passa bastante emoção. E falando em emoção, “Bastards” é aquela música cheia de ódio cuja prévia ouvimos em um vídeo no YouTube há algum tempo:

A letra tem a intenção de ser empoderadora. Ela surgiu após a eleição de Donald Trump, atual presidente dos EUA. Nesse momento Robb e sua esposa tiveram uma conversa séria com seus filhos a respeito do futuro. Algumas ofensas racistas e homofóbicas fazem parte da letra e, segundo Flynn, ele precisava colocar esses termos vulgares na música para que de alguma maneira as pessoas que estavam os dizendo se ouvissem.

“Eu coloquei pra fora o que eu precisava dizer. Eu queria fazer isso usando termos vulgares, termos grosseiros e usar a linguagem que eu estava ouvindo deles contra eles mesmos.”

Algumas coisas poderiam ter sido deixadas de lado

Dando continuidade, “Hope Begets Hope” é uma faixa bem fraca. Tanto pela letra quanto pela sua musicalidade. É mais do mesmo, mais daquela mensagem que já ficou bem clara até o presente momento. A gente entendeu que o poder está nas nossas mãos. Ainda mais depois de termos ouvido a polêmica “Bastards”.

“Screaming at the Sun” é outra que podia ter sido cortada. Não acho que seja uma música ruim, mas quando se está ouvindo um disco de quinze músicas, chega uma hora que elas não conseguem mais se destacar umas entre as outras. Tudo fica muito denso, cansativo e a emoção vai começando a se perder. A empolgação do início vai se esvaindo e muito provavelmente um ouvinte casual vai abandonar o disco.

Boas escolhas

Depois de alguns momentos conturbados, “Behind a Mask” e “Heavy Lies the Crown” são o respiro que a gente precisava! A primeira é a balada do disco, quebrando todo aquele clima pesado e dando um segundo de tranquilidade. Já a segunda é uma faixa muitíssimo bem trabalhada durante os seus quase 9 minutos. Boas melodias, atmosfera instigante, tudo trabalha tão bem junto… tem seus momentos leves em contrapartida com o clímax tenso mais pra metade da faixa, que se transforma num soco na cara da metade pro final. Essa música é tão boa, mas tão boa que o disco podia parar por aí… mas não. Ainda tem mais 4. Respira, vamos lá…

“Psychotic” e “Grind You Down”, assim como “Screaming at the Sun” definitivamente não são uma músicas ruins. Gosto bastante das duas, mas já se passou tanto tempo desde o início do disco que simplesmente não transmitem a mesma energia. É mais agradável ouvir essas músicas “sozinhas” do que no conjunto do álbum. “Razorblade Smile”, um tributo ao Lemmy, eterno vocalista do Motörhead, é outra que poderia ter ficado como faixa bônus.

E onde a gente chegou depois de tudo isso?

O álbum se encerra com “Eulogy”, uma música monótona que retoma a letra de “Bastards”. É uma boa escolha pra finalizar, mas ainda assim não é ideal. Aliás, essa música podia ter até servido de intro pro disco. Mantenho a minha posição de que o encerramento perfeito teria sido “Heavy Lies the Crown”.

O que dá pra concluir aqui é que “Catharsis” é um disco que fala majoritariamente sobre a podridão da sociedade, mas que em um momento se perdeu numa briga de rua na Califórnia e usou algumas drogas pesadas. Robb Flynn é um vocalista extremamente expressivo, não tem problemas em deixar bem clara a intenção das músicas. Me interessei bastante pela proposta até porque o acompanho nas redes sociais e realmente esperava que esse álbum fosse se destacar pelas suas letras, mas acabou que não atingiu as expectativas.

Apesar disso, não podemos esquecer que Machine Head é uma banda que já experimentou de tudo um pouco. Já viajou por várias vertentes do metal. E, bem, se o cara quis colocar uma música sobre o seu amor pela Califórnia no meio do negócio, a arte é dele, não é mesmo? Mas isso não vai fugir das nossas resenhas! E você, o que achou de “Catharsis”?

Stephany Nusch

Stephany Nusch

Estudante de Produção Musical e Showbusiness, é apaixonada por metal desde o início da adolescência. É bastante fã de literatura fantástica e de gatinhos. Acredita que toda arte tem seu valor e manda "Come to Brazil" nas redes sociais das bandas sem um pingo de vergonha na cara.

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