Edu Falaschi em Brasília Por dentro do Mosh Pit

Edu Falaschi em Brasília

21 de dezembro de 2017 | André Luiz Oliveira

No último sábado (16/12), Brasília recebeu um show único e histórico. Edu Falaschi apresentou o repertório da “Rebirth Of Shadows Tour” pela primeira vez em solo brasiliense. O repertório desta turnê é baseado totalmente em músicas gravadas pelo vocalista na época em que esteve no Angra; englobando os seguintes registros de estúdio: Rebirth (2001), Hunters and Prey (2002), Temple of Shadows (2004), Aurora Consurgens (2006) e Aqua (2010).

O show ocorreu na Sala Planalto do Centro de Conveções Ulysses Guimarães e estava marcado para começar às 21h, logo após a banda de abertura, que se apresentaria às 20h. No entanto, um imprevisto na estrada fez com que houvesse um atraso no evento, que começou às 22h.

Quer saber como foi? Confira a resenha que preparamos:

O show

A abertura da noite ficou por conta do trio paulista Acid Tree. Confira a entrevista que fizemos com o grupo e mais detalhes sobre o show aqui.

Exatamente às 22h45, as luzes se apagaram mais uma vez na Sala Planalto e a introdução “In Excelsis” começou a ressoar por toda a extensão do auditório. Isso foi motivo mais do que suficiente para levar a plateia à loucura, pois todos perceberam que “Nova Era” seria a canção de abertura. E QUE abertura, meus amigos! A banda entrou com tudo e Edu deu um verdadeiro show nos vocais, mostrando que aquela seria de fato uma noite histórica e inesquecível.

Em seguida, o grupo emendou “Acid Rain” e “Eyes Of Christ”, primeira de muitas raridades da noite. Aliás, esse é um dos pontos que faz dessa turnê tão especial: há a presença de músicas executadas poucas vezes ao vivo. Poder ver faixas como “Live And Learn” sendo executadas certamente deu uma emoção a mais na experiência como um todo.

E por falar em emoção, o clima entre público era o melhor possível. Houve abraços durante as músicas lentas, gritos e pulos durante os clássicos e aquele sentimento de união durante toda a apresentação.

Edu, por sua vez, deu um show de carisma. Interagia com o público sempre que tinha a chance, muito bem humorado e simpático. Quanto à qualidade de sua performance vocal, não há o que reclamar. Se há alguma diferença entre sua voz da fase do Angra e hoje em dia, ela é imperceptível. O vocalista ainda canta tão na bem como fase áurea da banda, e sim, isso inclui aqueles agudos que arrepiam até a espinha do ouvinte.

Um time de peso

Também não há que reclamar com relação à qualidade dos músicos da banda. Diogo Mafra e Roberto Barros formaram uma dupla de guitarras incrível e coesa, que tocou com precisão e maestria. Fábio Laguna adicionou uma dimensão épica às músicas, com arranjos de teclado bem colocados e arrepiantes.

Na seção rítmica, Raphael Dafras mostrou naquela noite seus grandes talentos nos graves, não demonstrando dificuldade alguma ao executar as linhas de baixo complexas e precisas que as músicas exigem. Por fim, Aquiles Priester nos relembrou, com seu solo, o motivo pelo qual é um dos bateristas mais aclamados do metal melódico.

Todos os membros juntos criaram um verdadeiro dream team extremamente profissional e capacitado. A prova disso foi a execução perfeita de “The Shadow Hunter”, uma das músicas mais aclamadas do Temple Of Shadows. Como Edu bem descreveu, esta “é uma música progressiva, bem difícil de cantar e tocar”. Contudo, a banda deu um verdadeiro espetáculo e executou as passagens complexas da música com invejável maestria.

Pouco depois veio “The Temple Of Hate”, o que indicava que, infelizmente, a apresentação estava caminhando para o final. O clássico do Temple of Shadows foi talvez um dos mais animados da noite, ao lado de “Unholy Wars” e “Angels and Demons”.

Para terminar o set, a banda escolheu dois grandes clássicos. O primeiro foi “Rebirth”, talvez o momento mais emocionante da noite. Foi cantada a plenos pulmões por todos os presentes, criando um clima comovente de união e celebração.

“Spread Your Fire” veio para derrubar tudo e fechar o set com chave de ouro. Ao ouvir o épico e apoteótico refrão ressoando por todos os cantos do auditório, já ia surgindo aquela saudade, aquele desejo de viver tudo de novo que perdura até hoje, quase uma semana depois do show.

Setlist

Algumas músicas foram cortadas do set final, muito provavelmente devido ao atraso. Confesso que não me lembro muito bem de todas as músicas que foram tocadas, então pode ser que alguma música esteja faltando ou que tenha alguma a mais, mas o setlist, de forma geral, foi o seguinte:

Nova Era
Acid Rain
Eyes Of Christ
Wishing Well
Angels And Demons
Heroes Of Sand
Late Redemption
Unholy Wars
Drum solo
Arising Thunder
Bleeding Heart
The Shadow Hunter
Live And Learn
The Temple Of Hate
Rebirth
Spread Your Fire

André Luiz Oliveira

André Luiz Oliveira

Estudante de jornalismo, conheceu o metal aos 14 anos e desde então é apaixonado pelo gênero. Fã de carteirinha de Rush, Pink Floyd e Ghost. Quase nunca sai sem camisa de banda e é um grande admirador de livros e filmes de terror.

Topo ▲