Redatores: álbuns injustiçados de 2017 Listas

Redatores: álbuns injustiçados de 2017

20 de dezembro de 2017 | Headbanger Mind

Você pode não imaginar, mas para elaborarmos a nossa lista de melhores do ano foram algumas sessões de votação, intermináveis discussões e pelo menos uns 50 álbuns candidatos. Acontece que tudo no Headbanger Mind é feito sempre pela maioria da redação, ou seja, somos 7, os lançamentos de 2017 que tiveram o maior número de votos entraram para o top 10 do ano.

O que queremos dizer com isso?

Para os que acompanham o site há pouco tempo, cada um de nós tem um gosto diferente do outro. Muitos tem pontos em comum, mas cada um entre os 7 tem a sua banda favorita diferente, álbum favorito diferente e até gênero favorito diferente. E qual a conclusão que isso nos leva? Que inevitavelmente algum, ou melhor dizendo, alguns álbuns de gosto particular dos redatores provavelmente não entraram na lista de melhores do ano. O que deixa o trabalho final muito mais democrático e o menos particular e pessoal possível. Claro, precisamos ser imparciais.

Por isso, resolvemos elaborar um post de redenção. Aqui vocês poderão observar o gosto pessoal de cada um de nós, sem filtros de maioria ou qualquer tipo de democracia interna. Aqui o filho vai chorar e a mãe não vai ver. Sendo assim, pedimos para cada integrante da redação apontar 3 álbuns que não entraram na lista final, mas que eles consideram que deveriam estar. Sim, pode parecer até brincadeira, mas o processo é doloroso até para nós. É quase como escolher um filho preferido. Mas, vamos lá. Fique agora com a lista dos álbuns preferidos de cada um que não entraram nos melhores do ano.

Guilherme Guerra

Aqui estão os meus 3 álbuns favoritos de 2017 (que ano da porra para lançamentos) que pelos motivos já mencionados acabaram não entrando. Existem muitos outros e eu poderia ficar horas escrevendo, mas tive que selecionar apenas esses e foi um processo realmente doloroso. Quase dor física.

Power Trip – Nightmare Logic

O bom e velho Thrash com uma pitada de Crossover está de volta. Esse ano tivemos diversos bons discos do subgênero, Havok e Warbringer entre eles, mas escolhi destacar o trabalho do Power Trip pela sua perfeição. Sim, para mim esse foi o álbum do ano que mais chegou perto do que considero perfeito em níveis de Thrash Metal. Só escute e não vai se arrepender. Confira a resenha completa aqui.

The Black Dahlia Murder – Nightbringers

Eu amo o Death Metal Melódico do Black Dahlia Murder, para mim uma das melhores bandas da atualidade e depois da entrada do novo guitarrista Brandon Ellis (Arsis, ex-Cannabis Corpse), eu senti que a criatividade das composições deu uma aumentada. Além das tradicionais notas Black Dahlianas temos algo diferente na pegada  de Nightbringers. Outro que deveria estar na lista de melhores do ano e não esteve por motivos de democracia. Odeio democracia. Confira a resenha completa aqui.

Dying Fetus – The Wrong One To Fuck With

Para mim esse foi especial. A partir deste lançamento e de outros de Death Metal, como o Obituary, Suffocation, Cannibal Corpse, tive a certeza que esse seria o ano do Death. E aqui entre nós, não tem muito o que dar errado com Dying Fetus, né? Confira a resenha completa aqui.

André Luiz Oliveira

Infelizmente a lista dos melhores do ano da redação tinha apenas 10 posições, o que fez com que alguns dos nossos favoritos ficassem de fora. Com isso, trago a vocês 3 álbuns que, na minha opinião, também figuram entre os melhores deste ano.

Marilyn Manson – Heaven Upside Down

É bem óbvio o fato de que este álbum estaria na minha lista, correto? Afinal, eu dava um jeito de falar dele em quase todos os podcasts. Heaven Upside Down é um disco que traz diversas sonoridades e atmosferas. Desde a agressividade destrutiva, em faixas como “WE KNOW WHERE YOU FUCKING LIVE” e “SAY10”, até a introspecção, em músicas como “Blood Honey”, o disco leva o ouvinte em uma jornada sonora bem interessante… ao estilo de Marilyn Manson, é claro. Confira a resenha completa aqui.

Chelsea Wolfe – Hiss Spun

Em sua crescente caminhada em direção à música pesada, a americana Chelsea Wolfe lançou um excelente registro em 2017. Hiss Spun é um disco extremamente atmosférico e sombrio, com arranjos que vão desde o caos do Black Metal até o experimentalismo vanguardista dos primeiros trabalhos da cantora. Vale conferir.

Inglorious – II

Se em seu primeiro álbum os ingleses mostraram o seu potencial, em II o grupo se consolidou como uma das grandes forças do Hard Rock atual. Se você é fã de Whitesnake, Deep Purple e dos clássicos dos anos 70/80, pode ter certeza que vai adorar este álbum. Confira a resenha completa aqui.

Amanda Dugin

A hora de falar do metal moderninho chegou. Não espere nenhuma indicação de álbuns de bandas mais clássicas, porque – pelo menos de acordo com meu gosto – 2017 foi o ano do metal atual, digamos assim. Teve tanto lançamento bom de bandas mais voltadas para o djent, progressivo, tech-death e afins que foi realmente difícil escolher apenas três.

Veil of Maya – False Idol

Não há dúvidas de que esse álbum foi o que me deixou mais viciada em 2017 – apesar de ter sido lançado em outubro. O álbum consolida a nova fase do Veil of Maya mais voltado para o djent, porém é muito mais do que isso. Com diferentes combinações e elementos variados, caminhando entre o progressivo, groove e até mesmo o death metal, False Idol superou todas as minhas expectativas. Confira a resenha completa aqui.

The Faceless – In Becoming A Ghost

De repente o novo álbum da banda californiana que combina technical e progressive death metal se tornou um dos meus preferidos. Cinco anos após o seu último lançamento, Autotheism, o The Faceless entrega um disco totalmente conciso. Esse é o primeiro álbum em que a banda passa a misturar vocais limpos com gutural (o que pode ter deixado alguns fãs antigos incomodados), no entanto o gutural continua sendo o principal. Essa mudança conseguiu deixar as músicas mais impactantes, e com certeza mais bonitas, trazendo uma combinação poderosa.

Northlane – Mesmer

Isso mesmo, mais uma banda de djent lançando um álbum incrível nesse ano. Em seu quarto álbum de estúdio, Northlane deixa completamente de lado o metalcore que era mais presente na fase inicial da banda, algo que já havia acontecido no álbum anterior, Node (2015). Fazendo um som mais experimental que deu muito certo, a banda atingiu também um alto nível em suas letras – inclusive na faixa “Paragon”, em homenagem ao guitarrista Tom Searle do Architects que faleceu em 2016.

Gabriela Fernandes

O Metal Progressivo é o gênero que eu mais escuto e acompanho. A inovação que as bandas estão trazendo é algo de encher os olhos. Ao mesclar progressivo com diversos outros gêneros, até mesmo com o Doom, essa galera ajuda a aumentar o nosso leque de opções. Esse ano (e em 2016), a quantidade de discos do estilo cresceu absurdamente. E, obviamente, no meu ranking de álbuns TOPSTERS esquecidos no churrasco, o que se sobressaiu foi o Prog. Que surpresa.

Ne Obliviscaris – Urn

A maior injustiça da nossa lista de melhores álbuns do ano é não ter o maravilhoso, espetacular, magnânimo Urn. Não dispenso elogios, pois, pra mim, é o melhor álbum de 2017 sem dúvidas. Os australianos do Ne Obliviscaris são donos de uma musicalidade única, é difícil até de rotulá-los em algum gênero. Urn é um misto de Metal Progressivo, Metal Extremo, sinfônico e tudo o que há de melancólico. Confira a resenha completa aqui.

Enslaved – E

Ninguém imaginava que E, um álbum com o título tão simplista, poderia ser tão rico e surpreendente. Depois da saída do vocalista e tecladista da banda, os fãs (eu inclusa) ficaram com o pé atrás, mas o resultado do décimo quarto full-lenght do Enslaved não poderia ser mais satisfatório. O estilo único da banda, que combina progressivo, Black Metal e atmosfera viking, transformou em um sucessor à altura de In Times (2015), outro disco muito bem aclamado dos caras. Confira a resenha completa aqui.

Paradise Lost – Medusa

Os mestres do Gothic Metal arrebentaram no novo disco. A galera do Paradise Lost caprichou no peso de Medusa, dando uma atmosfera bem Doom ao trabalho, na mesma linha do álbum anterior, The Plague Within (2015). Muito peso, guitarras distorcidas, ritmo lento e vocais graves, também é outro disco que traz uma certa melancolia. Mas uma melancolia destrutiva. Ótima pedida pros entusiastas do gênero.

Stephany Nusch

Teve tanto lançamento esse ano que é difícil ainda fazer esse top3 sem deixar algum queridinho de fora. Mas segue o baile, né gente? Teve muita coisa boa pelo mundo inteiro, mas mesmo assim o metal nacional continua a surpreender.

Torture Squad – Far Beyond Existence

A banda mantém sua identidade mesmo adaptando o vocal e guitarra para o estilo dos novos integrantes. A conclusão que tirei depois de ouví-lo foi de ter experienciado algo composto por músicos que realmente dominam seus instrumentos. Um som tradicional e direto ao ponto, ainda que bastante técnico.

Project46 – Tr3s

Sempre gostei muito do trabalho dos caras e com esse disco não foi diferente. Ele mistura elementos das mais diversas subdivisões do metal e o resultado foi muito surpreendente.

Sepultura – Machine Messiah

O último trabalho dos caras deu uma atualizada no som. Com passagens mais técnicas e até progressivas, o álbum foi uma surpresa muito boa que tive esse ano. Ele é bem elaborado, mas direto ao ponto ao mesmo tempo. Viaja entre momentos de calmaria e de velocidade de maneira muito natural. Lindo de ouvir, isso aqui!

Raul Kuk

Entre as coisas mais gratificantes de participar do Headbanger Mind, eu não posso deixar de citar o salário* e o fato de compartilhar experiências com pessoas de “formação musical” diferente, com gostos e preferências que acabaram me ajudando a expandir meus horizontes. Porém, quando a lista dos melhores do ano foi fechada, senti falta de discos muito bons.

Alice Cooper – Paranormal

Eu já tinha falado deste disco aqui, um passo adiante na carreira de Alice, mas que respeita o seu grandioso passado. Com rocks bem construídos, o clima de filme de terror B e um time de convidados especiais (que inclui os membros da formação original Neal Smith, Michael Bruce e Dennis Dunaway), Alice já marcou seu legado a ferro e fogo na história da música. Ainda assim, ele insiste elegantemente em ser brilhante.

Night Demon – Darkness Remains

Infelizmente, eu deixei passar a oportunidade de fazer uma resenha mais meticulosa deste BELLO álbum dos californianos mais speed-heavy da atualidade. Com letras que não deixam nada a dever a King Diamond e Iron Maiden, e músicas que nos remetem a Angel Witch, Grim Reaper e Death Angel, o Night Demon surpreende pela capacidade de tocar com tanta vontade e energia em um cenário dominado pelos modismos.

Dead Cross – Dead Cross

Se você acha que o eterno ex-atual-eterno-Faith No More Mike Patton já fez de tudo que podia na música, pense novamente. Meu amigo Guilherme Guerra dissecou de maneira brilhante esse álbum aqui, mas acho que outro dos selos do apocalipse foi quebrado aos primeiros acordes de “Seizure and Desist”. Se você tem no seu time músicos do porte de Justin Pearson e Mike Crain, do Retox, e Dave Lombardo (que dispensa apresentações), só posso presumir que o fim do mundo esteja cada vez mais próximo. Ouça esse disco enquanto ainda há tempo.

* = Não há salário.

Camila Buzzo

Por fim, mas não menos importante, estou aqui para listar três álbuns que amei mas infelizmente receberam um belo flop fora de seus respectivos meios. Também gostaria de desabafar que só tem djenteiro e tr00zão nesta equipe e resta a mim venerar a dupla Anneke van Giersbergen e Daniel Cavanagh. Não vou reclamar da falta desses álbuns no nosso Top 10, porque realmente teve muita coisa boa lançada este ano – e pra todos os gostos.

Daniel Cavanagh – Monochrome

Danny mostrou mais uma vez que é a alma do Anathema em seu mais recente álbum solo, Monochrome, lançado em outubro. Não é exatamente um álbum de metal, assim como o Anathema já não é exatamente metal nos dias de hoje. Eu estava com a expectativa tão alta pro The Optimist que no fim acabei me desapontando um pouco – agora vejo que seria difícil competir com o combo Weather Systems (2012) + Distant Satellites (2014). Fui pega de surpresa com o anúncio do álbum solo do Danny, que acabou se saindo muito (mas muito) mais interessante do que o The Optimist. Escrevi sobre ele aqui.

VUUR – In this Moment We Are Free – Cities

Quem diria que eu iria amar um álbum de metal progressivo, hein minha gente? Pois é. Só os holandeses mesmo pra conseguirem essa proeza – meu primeiro amor no prog foi o The Source, do Ayreon, que entrou no nosso Top 10. O álbum de estreia da nova banda de Anneke van Giersbergen causou estranhamento entre seus fãs, que não estavam habituados a essa sonoridade. É um disco conceitual, inspirado nas lembranças de diversas cidades em que Anneke já visitou. Com voz e instrumental impecáveis, foi a segunda grande surpresa do meu 2017. Também fiz uma resenha sobre ele, que você pode conferir aqui.

Diablo Swing Orchestra – Pacifisticuffs

A última grande surpresa do ano pra mim foi conhecer este álbum maravilhoso. Admito que não é para todos os gostos, mas não há como negar a genialidade e a versatilidade destes suecos. Nunca tinha parado pra ouvir a banda, e com o álbum lançado há poucos dias, subi no trem do hype e quase caí de costas. Pacifisticuffs marcou a estreia da vocalista Kristin Evegård, em substituição a AnnLouice Lögdlund, que deixou a banda para se dedicar à sua carreira na ópera. Se você gosta de um som ousado e não tem preconceito com outros gêneros musicais, não deixe de ouvir.

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