Afinal, o que é Batushka? Por que ouvir?

Afinal, o que é Batushka?

30 de novembro de 2017 | Guilherme Guerra

Nos últimos dias um nome foi muito ventilado na web e no mundo do metal: Batushka. Afinal, você sabe que porr* é essa? Não?! Pois é, eu também confesso que não conhecia até pouco tempo. Fui pesquisar um pouco e estou aqui com a missão de tentar passar para vocês as minhas impressões.

Bom, podemos começar falando que a banda andou sendo muito falada no último ano já que havia sido prometida uma vinda ao Brasil – e América Latina – que foi finalmente anunciada nesta semana. No cenário do metal mundial, os poloneses surgiram como algo misterioso. Também não é para menos, a banda é constituída por membros de identidade ainda desconhecida, segundo a própria gravadora, são músicos famosos no cenário do black metal mundial.

Formada em 2015, executam um bom black metal com traços atmosféricos e passaram a despertar a curiosidade de todos por mostrarem um som muito bem polido e tecnicamente invejável, o que deixou claro que os integrantes do Batushka sabem o que estão fazendo. E o fato de utilizarem máscaras também ajudou.

O nome de difícil adaptação para a língua portuguesa é pronunciado “Batjushka”, do cirílico faz menção a um padre ortodoxo. O termo ainda é tão pouco procurado pela internet que ao colocar Batushka no Wikipédia, a palavra mais próxima que aparecia naquele momento era Babuska e eu não estou brincando.

Apesar de qualquer similaridade em suas roupas e apresentações, Batushka não é uma banda cristã e me parece estar bem longe disso. Na verdade, o que se tem aqui é um conceito “Ghost” de apresentação para um metal extremo. Rostos cobertos, encenações e performances bem diferentes do que estamos habituados nos mostram que essa não é uma banda muito comum. Confira esse vídeo aqui e você vai entender mais um pouco:

Mesmo que as caveirinhas beirem o ridículo em suas roupas, os poloneses possuem sons com características bem fortes e marcantes, como você pode perceber se for ouvir o primeiro e único lançamento da banda, “Litourgiya” de 2015.

O álbum deve ser ouvido de uma maneira contínua e adorado como uma seita religiosa, tal sugere o próprio nome. Para não haver muitas confusões (leia-se em tom irônico), as músicas ganharam o nome de Yekteniya e foram numeradas de I até VIII. A primeira prendeu minha atenção e a terceira me pareceu a melhor do trabalho todo. Achei interessante o formato adotado pelas guitarras que, apesar de ainda concentrarem a rigidez do Black Metal tradicional, assumem um papel gratificante na criação de uma atmosfera. Mesmo na versão de estúdio. A dica é ouvir o álbum sem pressa e de preferência com fones de ouvido.

Contudo, podemos dizer que um dos lados mais fantásticos se resume à utilização de uma voz barítona fazendo contraponto aos berros mais clássicos. Muitas vezes o coral dá um tom cerimonial e religioso ao trabalho nos levando novamente ao título do álbum.

Em resumo, Batushka promete. A banda por não ter reinventado as normas do black metal mas com certeza trouxe novos ares ao subgênero, que aliás está passando por constantes mudanças nos últimos anos. Muito difícil encontrarmos alguma banda de black metal clássico que tenha prendido a atenção dos ouvintes ultimamente. A necessidade de pitadas de shoegaze, post-metal e notas atmosféricas (mais atmosféricas que o tradicional) se torna mais latente e a cada passo em direção ao “novo black metal” o público passa a absorver e entender melhor o antigo. Um ciclo que está sendo refeito.

Voltando ao Batushka, espero de verdade que esse bom trabalho continue. A banda foi uma grata surpresa nos últimos tempos e pode surpreender para os próximos lançamentos. Vale lembrar novamente que a Overload anunciou os poloneses para o dia 18 de maio em uma única apresentação em São Paulo. Se você conseguir dar uma espiada nesse culto ao vivo acho que não vai se arrepender.

Guilherme Guerra

Guilherme Guerra

Editor-Chefe do Headbanger Mind

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