Por dentro do moshpit: 12 passos com Mike Portnoy Por dentro do Mosh Pit

Por dentro do moshpit: 12 passos com Mike Portnoy

26 de outubro de 2017 | Stephany Nusch

Neste último sábado (21), Mike Portnoy aterrissou no Brasil para tocar músicas do Dream Theater pela última vez. Mas não eram apenas algumas músicas de sua antiga banda: era a famosa “saga da cachaça”.

Como Mike Portnoy conseguiu traduzir experiências em arte

Pra quem não sabe, Portnoy teve problemas muito sérios com o alcoolismo no início da carreira do Dream Theater. Por isso, ele teve que recorrer aos Alcoólicos Anônimos, onde foi submetido a um programa de 12 passos. Sendo assim, Mike compôs 5 músicas que somam um total de aproximadamente 57 minutos sobre esse processo. São elas: The Glass Prison, This Dying Soul, The Root of All Evil, Repentance e The Shattered Fortress.

Há quem diga que a alma do DT é o Portnoy. E, apesar de ainda seguir a banda, eu entendo totalmente esse argumento. Às 17h30, o Carioca Club abriria suas portas para celebrar a carreira de um dos músicos mais queridos do mundo. O que eu experienciei no sábado foi lindo. Foi um show tanto da banda quanto do público, que não se conteve em demonstrar o carinho que sente por todas as músicas.

Para apoiá-lo, Mike chamou alguns músicos da banda Haken (muito boa, ouçam) e o colega Eric Gillette, que deram um show de profissionalismo. Eles não apenas conseguiram reproduzir as complexas músicas como também foram super carismáticos e se mostraram bastante surpresos com a recepção brasileira. Mais uma vez a galera da Overload acertou bem no gol e entregou um show de mega qualidade.

Do primeiro ao último riff os fãs não pararam: eram lágrimas, sorrisos, lembranças, tudo junto. Essas músicas consolidaram o amor que muita gente tem pela história do Dream Theater. E isso ficou muito nítido. Eu já acompanhei muitos coros junto de plateias, mas nesse dia, todo mundo cantava todas as notas. Todas. As. Notas. Foi um dos melhores shows que eu já assisti. No vídeo abaixo você consegue entender porque:

O que devemos aprender com isso

Você já se perguntou porque o Dream Theater faz tanto sucesso? Sim, eles são ótimos músicos que podem tocar centenas de notas por segundo, mas mais importante que isso: eles tem carisma, a música tem intenção. Por mais que alguém consiga tocar incrivelmente rápido, não necessariamente essa pessoa compõe bem, ou consegue formular frases e conexões com seu instrumento. O que não é o caso desse conjunto de músicas que o Mike Portnoy compôs. Por mais complexas que sejam as passagens, todas elas têm intenção, têm algo a dizer, têm início, meio e fim. A música tem alma. E acredito que seja algo importante para as bandas manterem em mente. Já entendemos que as pessoas são capazes de tocar muito bem, mas quantos conseguem traduzir isso em algo emocionante? Mike fez isso e muito mais, conquistando essa legião de fãs incrivelmente fiéis. Respeito!

Stephany Nusch

Stephany Nusch

Estudante de Produção Musical e Showbusiness, é apaixonada por metal desde o início da adolescência. É bastante fã de literatura fantástica e de gatinhos. Acredita que toda arte tem seu valor e manda "Come to Brazil" nas redes sociais das bandas sem um pingo de vergonha na cara.

Topo ▲