Talvez o álbum do Suicide Silence não seja tão ruim assim Opinião

Talvez o álbum do Suicide Silence não seja tão ruim assim

17 de outubro de 2017 | Guilherme Guerra

Hoje publicamos uma matéria em que George “Corpsegrinder” Fisher defendia a banda. Falou centenas de vezes em Mitch Lucker e que o velho comentário que ele “estaria se revirando no túmulo” ao ouvir o novo disco era absolutamente ridículo. Corpsegrinder ainda afirmou que Suicide Silence é sim Death Metal e que quem desejasse falar o contrário poderia ir se f*uder.

A declaração da lenda do Death Metal mundial trouxe de volta um tópico que eu estava esperando a oportunidade certa para comentar, o álbum Suicide Silence. No período pré e pós lançamento do trabalho eu fiz uma imersão em todas as declarações da banda tentando entender a proposta. De acordo com diversas fontes, algo impactante viria por aí e todos deveríamos estar preparados para o baque. No lançamento do single “Doris” já foi o caos. Eu nunca tinha visto um vídeo de banda no Youtube receber tanto dislike em 24h. Ao mesmo tempo, as farpas entre fãs mais antigos e banda começaram a ser trocadas por redes sociais.

No dia 24 de fevereiro de 2017 sai o álbum. Foi uma chuva de comentários ridicularizando algo que havia acabado de chegar ao seus headphones, vitrolas, rádio do carro ou qualquer porra que vocês usem para ouvir música. Exatamente neste momento a banda talvez tenha tomado a atitude chave para o desprezo e aberto totalmente o caminho para os haters de teclado.

A maneira agressiva que os integrantes absorveram as reclamações foi errada. Debatiam tweet por tweet, post por post. Deveriam ter esperado e respirado um pouco. Após isso, até os próprios viram que tinham feito bobagem. O baterista Alex Lopez inclusive, algumas semanas depois em entrevista no podcast de Jamey Jasta, se desculpou publicamente pela maneira como agiu.

Atravessando essa trocação franca, observamos que todas as pessoas que pararam para analisar o álbum esperavam uma coisa e receberam outra. Eu me incluo nelas. Até fiz uma resenha aqui no Headbanger Mind, da qual me arrependo, dando nota 1 para o álbum. Muitas pessoas esperavam um álbum de Deathcore e não veio. Foram influências genéricas, um pouco de Metalcore e muita coisa de três bandas: Korn, Deftones e The Dillinger Escape Plan. Aliás, Sir George “Corpsegrinder” Fisher, o álbum Suicide Silence é tudo menos Death Metal. Não força a barra.

Analisando friamente o trabalho, não é de se jogar tudo fora. Ou queimar, como fez esse amigo aqui. Não temos as “fillers” – famosa encheção de linguiça – já que o álbum inteiro tem 9 músicas e “Doris”, “Silence” e “Listen” não são de todo mal. Ruim mesmo só “Run” e “The Zero” em que Eddie Hermida dá um show de como não encaixar o vocal limpo na música.  Ah, o título da música “Don’t Be Careful You Might Hurt Yourself” continua sendo ridículo mesmo meses depois.

Aliás, nem precisamos entrar no embate dos vocais limpos, né? Ou vai me falar que você é um daqueles: “não é metal se tiver clean vocals”. Se for, eu não vou perder muito meu tempo com você. Essa discussão leva em questão o gosto puramente pessoal e não fatores que podemos realmente analisar. Isso vale para a galera que nem vai ler o texto e comentar no Facebook falando que o álbum é ruim graças aos clean vocals. ESTAMOS DE OLHO.

O que eu quero dizer é: o álbum Suicide Silence talvez não seja esse monstro todo. É o clássico Deathcore do Mitch? Não. É uma beleza de álbum para estar no top 10 do ano? Também não. Mas o ritmo com pegada mais groove, a lentidão acompanhada do peso em certas músicas e os momentos em que Eddie realmente traz as suas influências antigas, até que dão um bom caldo.

Tudo isso nos leva a qual discussão?

Isso, muito bem, sei que você pensou na banda trocando de nome, mas não. Experimentalismo é aonde eu quero chegar. Existem bandas que são pilares e devem soar daquela maneira: Slayer, Iron Maiden, Motorhead. Ninguém nunca vai querer que eles experimentem nada. Se conseguissem mudar duas vírgulas e lançar um novo álbum ano sim ano não, todo mundo ficaria feliz. Não é?

Mas, saindo das “cabeças”, temos outras bandas que estão no cenário há anos e querem sim migrar para um lado um pouco diferente do original de 10, 15, 20 anos atrás. Muitos inclusive fundam novas bandas para fazer isso, como é o caso de Nergal do Behemoth que tem uma banda de country chamada Me And That Man (muito boa por sinal) e do já mencionado Jamey Jasta como o Hatebreed e Jasta.

O ponto que quero chegar é a pouca abertura que os fãs de metal dão aos seus ídolos de experimentarem e darem vida a coisas novas. Muitos nem chegam a colocar na rua trabalhos que possam “desagradar a fan base“. No caso do Suicide Silence, muitos erraram. A banda, os fãs, eu errei também e para acabar com toda a balela eles mesmos já falaram que no próximo lançamento voltarão às raízes.  No final das contas o álbum Suicide Silence pode nem ser tão ruim assim e uma maneira da banda aumentar um pouco seus horizontes.

 

 

 

Guilherme Guerra

Guilherme Guerra

Editor-Chefe do Headbanger Mind

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