Por que o Rock in Rio 2017 não terá um dia dedicado ao metal? Opinião

Por que o Rock in Rio 2017 não terá um dia dedicado ao metal?

24 de Março de 2017 | Raul Kuk

Começaram a ser anunciadas as atrações da sétima edição do festival de música mais tradicional de nosso país. Depois de Maroon 5, foi a vez de Red Hot Chilli Peppers, Aerosmith, Bon Jovi e o reformulado Guns n’ Roses se unirem a Lady Gaga e Justin Timberlake. Mas o que chamou a atenção de todos nós aqui no Headbanger Mind foi a ausência de uma “noite do metal” nessa edição.

A verdade é que o Rock in Rio, desde sua concepção, sempre foi um festival de MÚSICA – não necessariamente heavy metal. Sua primeira edição, no longínquo 1985, contou com AC/DC, Iron Maiden, Queen, Scorpions, Ozzy Osbourne e Whitesnake em grandes fases de suas carreiras. Mas também teve Pepeu Gomes, Ivan Lins, James Taylor, Erasmo Carlos e Paralamas do Sucesso. Grandes artistas, sem dúvida, mas longe, muito longe do heavy metal.

A segunda edição, em 1991, contou com Queensrÿche, Megadeth, Judas Priest também em grandes momentos, além do Guns n’ Roses – nos shows que me tornaram fã da banda e me fizeram gostar de rock e metal. E o que mais? A-Ha, Prince, Engenheiros do Hawaii, George Michael, Information Society…

Fica fácil perceber que a intenção dos organizadores é atrair fãs das mais diversas vertentes da música. Heavy Metal, Hard Rock, até Thrash Metal tiveram sua chance, mas também o pop, dance, a música brasileira e o jazz foram prestigiados nesse que é um dos maiores festivais do mundo, com edições em Portugal, Espanha e Estados Unidos.

Vamos então pensar em termos práticos: numa “noite do metal”, quais poderiam ser as atrações?
Iron Maiden e Metallica… de novo? Ambos estão às voltas com suas próprias turnês que os colocaram longe da América do Sul nas datas programadas para o festival. Mas que outro grande nome do metal poderia ser escolhido? As duas bandas têm se revezado em nosso país e talvez fosse o momento de dar espaço para outro grande nome. Qual outra banda teria a mesma reputação junto ao grande público – que é o objetivo do festival?

Vale lembrar que um dos principais patrocinadores do Rock in Rio é a Rede Globo. Se for pra escolher entre Manowar e Ivete Sangalo, certamente vão preferir o que dá mais audiência e atrai mais anunciantes.

É válido se manifestar, protestar, tentar mostrar que o público do metal tem força SIM pra uma noite com nomes como, por exemplo, Anthrax, Black Label Society, Lamb of God, Dream Theater ou Testament. Mas dificilmente vá mudar alguma coisa, porque NÃO SOMOS o público alvo. A menos que Iron Maiden ou Metallica estejam disponíveis, não vai ter investimento em um estilo que não tenha o retorno que a organização do festival espera.

O Rock in Rio não é mais pra nós. E está tudo bem. As grandes bandas vão continuar vindo ao Brasil sempre que houver espaço em suas agendas, e nós estaremos lá, mostrando que o metal não apenas mantém seu público, como também o renova. E sem precisar de anunciantes, rádios ou redes de TV pra isso. Como sempre foi, aliás.

Raul Kuk

Raul Kuk

Escritor de coisas, degustador de quadrinhos, sommelier de cinema, comensal de música. Um Time Lord de 400 anos, é pai de uma pequena e encantadora khaleesi.

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